PMs suspeitos de assassinato em Campinho

Familiares de jovem de 17 anos acusam quatro policiais de espancá-lo até a morte

Por O Dia

Fabiano Andrade levou socos e golpe de fuzil na cabeçaReprodução

Rio - A morte do estudante Fabiano Braga, de 17 anos, na madrugada deste domingo, em Campinho, despertou a revolta de familiares e amigos do adolescente, que acusam quatro policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) de espancá-lo durante a abordagem. Os militares foram autuados pela Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e seriam encaminhados à Unidade Prisional, antigo BEP.

Segundo o barbeiro Carlos Henrique Vitalino, de 22, amigo da vítima, ele e Fabiano voltavam de festa quando viatura com os PMs fechou a moto em que os dois estavam. Segundo Carlos, eles foram espancados por dois PMs. Levado para a UPA de Madureira, ele chegou morto ao local.

“Passamos de moto pela viatura na Rua Maria José e ninguém mandou a gente parar. Depois, vieram atrás e mandaram descer da moto. Dois policiais colocaram a gente encostado na sinuca de um bar que estava fechado e começaram a bater. O Fabiano levou soco no peito e, logo depois, deram com o fuzil na cabeça dele. Ele desmaiou, sem ar, e ainda bateu com a cabeça no chão. Eu recebi socos nas costas”, disse Carlos Henrique, que pilotava a moto e prestou queixa na 29ª DP (Madureira).

“Os policiais fizeram isso a troco de nada, acharam que a gente era vagabundo. A gente gostava de curtir, nem tínhamos bebido. Eles ainda pegaram uma faca e rasgaram o pneu da moto”, acrescentou o barbeiro, que não tem habilitação para dirigir moto. O veículo está registrado no nome da mãe de Fabiano, Renata Braga.

Pai da vítima%2C Elisio Vasconcellos é amparado na porta da delegacia%3A ‘Meu filho nunca teve envolvimento com o tráfico. Era até medroso’Severino Silva / Agência O Dia

'Meu avô honrava a farda'

“Meu avô era major, honrava a farda. Só que essa mesma farda que eu confiava acaba de tirar meu bem mais precioso. Se meu filho estava errado, sem habilitação, que apreendessem ele, e não o matassem. Ele seria punido por isso, mas estaria vivo”, disse Renata, mãe de Fabiano.

“Meu filho nunca teve envolvimento com drogas ou com o tráfico. Era tranquilo. Ele ia fazer 18 anos no dia 13 de março e o sonho dele era servir o quartel, ser militar. Ele estudava na Escola Cardeal Arcoverde e não tinha nenhum histórico de brigas. Meu filho era até medroso. Esses PMs são assassinos”, disse o vendedor de motos Elisio Vasconcellos, de 37, pai de Fabiano.

De acordo com o delegado Carlos Henrique Machado, titular da 29ª DP, os quatro PMs envolvidos na ocorrência prestaram depoimento, além do jovem que estava na moto com o adolescente. Foi realizada perícia na moto e os agentes aguardam o resultado do laudo de necropsia com a causa morte.

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