Rio - Após ser preso por agentes da Polícia Federal, no início da tarde desta segunda-feira, o ex-deputado federal Roberto Jefferson disse que não se arrepende de nada que fez. O delator do Mensalão evitou falar sobre a decisão judicial e saiu acompanhado da esposa a bordo de um carro descaracterizado da PF. Sobre o Mensalão, Jefferson afirmou que o episódio foi um divisor de águas na vida política brasileira. "As pessoas se preocupam mais e os políticos estão fiscalizando mais também", declarou.
Roberto Jefferson também falou sobre a importância da liberdade, e afirmou que estaria perdendo a sensação de estar livre nesta terça. Ele acrescentou que isso "é o curso natural das coisas". "Caí em pé. Me sinto saindo pela porta da frente", disse em relação à prisão.
O ex-deputado federal disse ainda que não sabe para qual presídio vai e que não pensou em seu futuro político. "Vou me apresentar na superintendência da Polícia Federal e ainda não pensei em um emprego, caso eu seja condenado a um regime semiaberto".
Uma campanha para arrecadar dinheiro para pagar a fiança de Roberto Jefferson segue em curso. Segundo ele, seu escritório já está à venda e o ex-deputado conta com a doação de colegas e simpatizantes políticos.
Pela manhã, enquanto aguardava a chegada do mandado de prisão, Jefferson apareceu sorridente na sacada de sua residência. Questionado sobre sua aparente calma, o ex-parlamentar afirmou que esses dias têm sido angustiante.
"Não tenho dormido, é uma história angustiante. Mas tenho que cumprir o meu destino", disse o ex-deputado, que ainda comemorou a vitória do time reserva do Botafogo, sobre o Fluminense, no domingo, provocando os torcedores adversários.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que determinou a prisão por sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto de Roberto Jefferson, rejeitou pedido de defesa de Jefferson, feito no final do ano passado, para que o condenado cumprisse prisão domiciliar devido ao seu estado de saúde. Em 2012, o ex-parlamentar fez uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. Jefferson disse estar pronto para pagar sua pena.
"Deus só dá carga para quem aguenta. E eu que ando de Harley-Davidson e sou botafoguense, sei bem o que é passar por fortes emoções", afirmou o ex-deputado federal.
Neste domingo, Roberto Jefferson "aproveitou" últimos momentos de liberdade, passeando numa moto Harley-Davidson, vestindo jaqueta de couro e calça da grife. No mesmo dia, um comerciante apareceu na casa do ex-deputado para doar R$ 100. Ele se identificou como Afonso Dominguito de Castro e afirmou ter vindo de Cataguases, em Minas Gerais. A quantia seria para colaborar com a campanha de arrecadação de Roberto Jefferson para pagar a multa de R$ 720 mil imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os doadores estão também a filha Cristiane Brasil, secretária municipal de Envelhecimento e Qualidade de Vida do Rio, e o senador Fernando Collor (PTB-AL).
Ainda no domingo, Jefferson publicou um texto em seu blog, se despedindo dos leitores.
“Até que a Justiça determine o meu status de preso, isto é, o que posso e o que não posso fazer, a partir de hoje deixo vocês na companhia da minha equipe, que já trabalha comigo há anos e conhece meu sentimento em muitos assuntos, principalmente na Política. Mas, tenham certeza de uma coisa: sempre que possível e dentro dos limites da lei, me comunicarei com vocês. Até breve”, escreveu.
Roberto Jefferson deverá cumprir a condenação num presídio do Rio de Janeiro.