Por thiago.antunes

Rio - Uma nova testemunha disse ontem, em depoimento na 30ª DP (Marechal Hermes), ter presenciado a abordagem policial que culminou com a morte do estudante Fabiano de Oliveira Braga, de 17 anos, domingo, em Campinho, Zona Norte, e confirmou a versão de que PMs agrediram o jovem. Essa pessoa contou que estava perto do local e que viu o momento em que a vítima e um amigo, que sobreviveu, teriam levado socos e coronhadas.

Ontem, familiares e amigos de Fabiano realizaram um ato na Rua Maria José, em frente ao bar onde o adolescente teria sido agredido. Na ocasião, a vítima voltava de uma festa na garupa da moto de Carlos Henrique Vitalino, de 22, quando houve a abordagem de policiais do 9º BPM (Rocha Miranda). 

Familiares de Fabiano Braga à frente da manifestação que percorreu ruas de Campinho%2C ontem à noiteDivulgação

Na versão das testemunhas, o estudante teria pego o celular para ligar para um parente e teria sido agredido com coronhadas e um soco no peito. Ao cair, ele bateu a cabeça no chão, foi socorrido, mas não resistiu. A testemunha disse, inclusive, que viu o momento em que um dos policiais furou o pneu da moto dos jovens com uma faca. A versão é a mesma contada por Carlos Henrique.

Fora da área de atuação

Os quatro policiais acusados — Leonardo Alves da Silva, de 25; Phellipe da Sá Laranjeira Azevedo, de 23; Carlos Henrique Conceição da Silva, de 26; e Hugo Leonardo Silva de Carvalho, de 29 — negaram as agressões e contaram que o adolescente se desequilibrou. Eles estão presos na Unidade Prisional, antigo BEP. 

O comandante do 9º BPM, tenente-coronel Wagner Morehtzohn, informou ainda que a viatura estava fora da área de atuação, já que pertencia à Companhia Destacada do Morro São José Operário.

Oficial pediu desculpas

O tenente-coronel Wagner Morehtzohn esteve ontem, junto de outro oficial, na casa dos familiares de Fabiano e pediu desculpas pelo ocorrido. Segundo os parentes, ele chegou a chorar durante o encontro. “Ele nos pediu desculpas e chegou a chorar vendo fotos e vídeos do nosso sobrinho”, contou o tio Rodney de Oliveira, de 42.

Hoje, uma outra testemunha, que também afirma ter visto o fato, deve comparecer à delegacia para formalizar o depoimento. Os investigadores aguardam os laudos da perícia e do IML para atestar a causa da morte do estudante.

Durante o protesto, que teve passeata, orações e músicas em homenagem a Fabiano, a mãe do adolescente, Renata Braga, pediu Justiça a autoridades. “Não quero guerra por causa disso, só quero Justiça. Meu filho nunca foi vagabundo. Estamos aqui para provar a atitude covarde destes quatro policiais. Eles têm que ser punidos”.

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