Por bianca.lobianco

Rio - Cerca de 100 pessoas fecharam a pista lateral da Avenida Francisco Bicalho, sentido rodoviária, por duas horas, no Centro. Moradores da "Ocupação Bairro 13", no antigo prédio da companhia Docas, protestaram contra a demolição das casas realizada pela prefeitura nesta terça-feira. Cerca de 70 famílias tiveram seus barracos demolidos. A prefeitura queria continuar a ação de demolição hoje, mas os moradores impediram. No local vivem 400 famílias divididas em cinco galpões.

Inicialmente, a prefeitura havia indicado que eles seriam realocados para casas do projeto "Minha Casa, Minha Vida" e também receberiam um aluguel social no valor de R$ 400. No entanto, nesta terça-feira os moradores assinaram um documento que constava apenas que todos eles receberiam uma indenização de R$ 1.200. Os moradores se sentiram lesados, porque o cheque só foi entregue após a demolição.

Maria Elizabeth teve seu barraco demolido nesta terça-feira e não tem onde morar. Seu filho tem problema mentaisAthos Moura / Agência O Dia

Erro de redação no documento

O chefe do gabinete do prefeito, Davi Pereira, falou que o que aconteceu foi um erro de redação no documento e, que na verdade, os R$ 1.200 seriam a antecipação de três meses do aluguel social. Ele reiterou que as famílias serão realocadas para as habitações do projeto "Minha Casa, Minha Vida", que só ficarão prontas em abril. Caso ocorram atrasos, mais um aluguel social no valor de R$ 400 será distribuído.

Maria Elizabeth Barboza, de 49 anos, está desempregada. Ela alega que se sentiu enganada, pois é analfabeta e a obrigaram a assinar um documento em que ela acreditava ser do aluguel social. A senhora estava morando há um ano e meio na ocupação e antes vivia de favor na casa do irmão, em Guapimirim. 

"Estava acreditando que ia receber o aluguel social, mas acabei me sentindo enganada, poque sou analfabeta e me fizeram assinar um papel em que eu pensava que seria o aluguel social. Eu só descobri que estava recebendo uma indenização quando leram o papel para mim", disse ela, que tem um filho com problemas mentais de 31 anos. Desesperada, ela teve sua casa derrubada nesta segunda-feira e não sabe para onde vai.

Protesto complicou o trânsito

Por conta da manifestação, houve congestionamento e os reflexos chegaram à Radial Oeste e Rua São Francisco Xavier, no Maracanã, na pista lateral da Avenida Presidente Vargas, no Centro, e ao longo dos túneis Rebouças e Santa Bárbara. A retenção também chegou à Lagoa, na Zona Sul. Também houve reflexos na Avenida Marechal Rondon e Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá.

A CET-Rio interditou a saída do Viaduto 31 de Março, que liga o Túnel Santa Bárbara à Presidente Vargas para evitar que mais motoristas ficassem presos no trânsito. Com isso, o motorista que estava no elevado teve que seguir em direção ao Santo Cristo.

Protesto fecha a Avenida Francisco BicalhoCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Outra medida visando desafogar o trânsito foi a interdição da saída do Elevado Paulo de Frontin para a Avenida Francisco Bicalho. O motorista era obrigado a seguir para a Praça da Bandeira e São Cristóvão, onde acessava a Avenida Brasil e Via Binário. O Centro de Operações Rio também adotou o esquema de tráfego utilizado no período da tarde: quem vem da Avenida Rodrigues Alves para o Centro é obrigado a seguir pela Rua Cordeiro da Graça. Com a liberação da pista central da Avenida Francisco Bicalho, esses esquemas foram desfeitos.

Quem veio da Zona Norte em direção à Avenida Brasil teve que usar o Viaduto da Mangueira e seguir por Benfica. Já o motorista que veio da Zona Sul teve que usar a Via Binário. A CET-Rio enviou agentes de trânsito para o local.

Você pode gostar