Por bianca.lobianco

Rio - Ele jura que nem o prefeito Eduardo Paes (PMDB) nem os ex-prefeitos para quem trabalhou vão ter motivo para ficar sem dormir. Mas o fato é que o garçom tijucano Gyleno dos Santos, 76 anos, resolveu escrever um livro. Já tem até título provisório. É o “Segredos na Bandeja”, com “causos”, segundo ele, dos 32 anos que passou entrando e saindo do gabinete onde são tomadas as decisões que afetam a vida dos cariocas e agitam a cena política da capital fluminense.

“Vão ser só amenidades”, desconversa Gyleno. Mas sempre que a gente tenta arrancar dele um segredo — unzinho só — de algum ex-prefeito ou do atual, o flamenguista agora tira onda: “Deixa pro livro.” 

Gyleno trabalha na prefeitura desde a administração de Jamil Haddad. De lá para cá, passou por Marcello Alencar, Saturnino Braga, Cesar Maia, Luiz Paulo Conde, Cesar Maia de novo e, agora, Eduardo Paes. E qual foi o melhor prefeito? “O melhor prefeito é sempre o último”, responde, gaiato. É Paes quem, segundo o garçom, profetiza: “No dia em que ele falar cai todo mundo.”

Cai, não, prefeito. Se ele tivesse vocação para fofoca, não estaria esse tempo todo no cargo, né? Seu lema, inclusive, é: “Tô rouco de ouvir.” E a receita é: “Você chega, coloca água, coloca café e sai. Não fica para ouvir. Em 32 anos a gente acostuma. Vai chegando num ponto que quando eu entro eu me desligo.”

O futuro escritor não entrega nenhum podre dos patrões, muito menos do atual. Mas fala do momento em que um deles o comoveu. Em 1988, Saturnino Braga decretou a falência do Município do Rio. Foram tempos difíceis, e o então prefeito ficou, segundo Gyleno, “bem abatido”. “Sumiu todo mundo. Ele ficou sozinho no Palácio (da Cidade)”, lembra.

Tento de novo arrancar do entrevistado alguma graça sobre o prefeito Eduardo Paes. Qual a melhor qualidade dele, Seu Gyleno? “Ele é amigo”, diz, econômico. E o pior defeito? “Amigo não tem defeito”, exagera. Mas logo Gyleno lembra que Paes é vascaíno e sentencia: “Ninguém é perfeito.”

Na última tentativa de fazê-lo reclamar de alguma coisa da atual administração, tento descobrir se o homem pega engarrafamento para chegar ao trabalho por culpa das obras de Paes. Nada: “Moro em Inhaúma. Venho de metrô. Chego em 20 minutos.” Deu sorte, prefeito.

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