Por bferreira

Rio - Desde criancinhas, alguns aprendem a superar as dificuldades com as seguintes ordens na cabeça: “Engole o choro!” “Ergue a cabeça e estufa o peito pra passar por ali!” “Olha pra frente e finge que não está vendo!” “Sorria e não deixa ninguém perceber!”... Será que essas frases são familiares somente a mim? Acho que não, né? Mas me diz aí: e se eu quiser chorar, andar pela rua cabisbaixo, lançar um olhar triste para alguém e não disfarçar minhas expressões faciais, quando algo me acontecer? Eu não posso? Eu não preciso ser altivo para camuflar minha dor ou parecer ser mais do que alguém, nem agir como se o outro fosse um inimigo em potencial o tempo todo.

O pior é que tem gente que treina tanto agir assim, que parece que acaba por adotar esse jeito de ser, que é forjado, como traço da personalidade... E fica sendo identificada como aquela pessoa que está “sempre por cima da carne seca”, que é o último “refrigerante do deserto”, um ser que “se acha”, como a gente costuma dizer. Conhece alguém desse jeito? Será que você é assim?

Mas, neste ano, em que fomos convidados por nossa Arquidiocese a viver a caridade, estamos aprendendo, com o belíssimo texto bíblico escrito por São Paulo, que a Caridade: “Não é arrogante.”(I Cor13,4b)

Sim, esse comportamento que aprendemos ao longo da vida é uma arrogância. E, embora seja comum nas pessoas orgulhosas, tem uma característica peculiar, como explica o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: a “altivez que deixa ver o pouco caso que se faz do adversário”. Essa definição, além de já tratar o outro como inimigo claramente, deixa explícita a inferiorização de alguém.

Alguém já fez pouco caso de você? Se isso já aconteceu, você experimentou a dor da indiferença, de se sentir diminuído como pessoa ou mesmo em algum papel social ou função que desempenhe. É uma sensação ruim, que fere o coração profundamente. Porque a arrogância inferioriza o outro até o ponto de feri-lo. No entanto, não passa de defesa desnecessária, que oculta o verdadeiro ‘eu’, com seus problemas e inseguranças, para anunciar ao outro uma imagem de altivez, de superioridade, que, honestamente, não serve para nada de bom!

Os irmãos que sofrem a deficiência física são excelentes professores para nos ensinar que ninguém é melhor que ninguém. Converse com eles! Como vítimas comuns da arrogância dos que se consideram perfeitos e, portanto, superiores, são pessoas que têm aprendido a superar as limitações com autenticidade. São verdadeiros exemplos! Mas o mais bonito de notar é que, na contramão de tudo, embora sejam modelos de superação constante, isso não faz deles pessoas arrogantes, porque aprenderam que, por melhores e mais esforçados que sejam, sempre há circunstâncias em que vão precisar de outros ao seu lado. Exatamente como qualquer um de nós precisa, ainda que não queira reconhecer.

Não quero que a arrogância domine o meu jeito de ser. Quero é ser autêntico e nunca diminuir um irmão! Você topa viver assim também? Então, ‘tamu junto’!

Padre Omar: é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail [email protected] Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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