Por adriano.araujo

Rio - Os garis do Rio decidiram, em assembleia na manhã desta quinta-feira, manter a greve da categoria. O encontro ocorreu na Rua Major Ávila, na Tijuca, onde fica localizada a sede da Comlurb.

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Logo depois, o grupo saiu em passeata em direção ao Centro do Rio. Os manifestantes, cerca de 200, percorreram a Avenida Maracanã, Radial Oeste, Praça da Bandeira e Presidente Vargas, interditando momentaneamente as vias e complicando o trânsito. O grupo de grevistas segue pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia.

Garis fazem protesto após assembleiaFabio Gonçalves / Agência O Dia

Mais cedo, a Comlurb informou que o serviço de coleta, varrição e limpeza da cidade apresentou melhora, apesar da equipe de O DIA ter circulado pelas ruas do Centro do Rio e não encontrar equipes da Comlurb atuando na limpeza. Ruas como Uruguaiana, Rosário, Carioca, Sete de Setembro e a Praça Tiradentes permaneciam imundas.

Ainda na nota, a empresa disse que, apesar da evidente permanência do lixo nas ruas do Centro, a região e outras em situação mais crítica estão com 100% de efetivo, veículos e equipamento nas ruas. Entretanto, a companhia reconhece que a total limpeza da cidade deve levar ainda alguns dias diante do volume de resíduos acumulado.

PM e guardas escoltam garis que trabalharam na coleta de lixo

Policias militares e guardas municipais escoltaram garis que não aderiram a greve da categoria, que já dura seis dias, ou que abandoram o movimento e voltaram a trabalhar na madrugada desta quinta-feira. Na noite de quarta-feira, o prefeito Eduardo Paes anunciou a contratação de segurança privada para garantir a circulação de 300 caminhões de coleta de lixo, por tempo indeterminado. Ele garantiu ainda que revogará as 300 demissões, caso a categoria volte ao trabalho nesta quinta-feira.

Garis são escoltados por Guardas Municipais para fazer a coleta de lixo na cidadeOsvaldo Praddo / Agência O Dia

A medida de segurança anunciada se deve a supostas ameaças feitas pelos grevistas, denunciadas por colegas, de impedir o trabalho dos garis que querem trabalhar. Muitos dizem estar sendo coagidos a parar suas atividades e a aderir ao movimento. O prefeito não soube dizer quanto vai custar aos cofres públicos a contratação da empresa de segurança.

“Isso ainda está sendo calculado”, afirmou ele, que admitiu que acha “legítima” a reinvidicação por melhores salários.

Na Rua Muniz Barreto, em Botafogo, na Zona Sul, 12 garis, em dois caminhões de coleta de lixo, eram acompanhados por uma equipe da Guarda Municipal durante a madrugada. Seis deles se mostraram arredios com a presença da equipe do DIA. Segundo um dos guardas, eles não queriam ser fotografados. O temor era de serem reconhecidos por colegas em greve e sofrer represálias. Nenhum deles quis dar declarações.

O prefeito, no entanto, disse que o reajuste pedido pode comprometer o orçamento do município. “Foi a categoria que teve mais aumento no município, 50% de ganho real. Além disso, teve 9% de aumento salarial agora”, argumento Paes, que citou, ainda, a inclusão de benefícios como planos odontológico e de carreira, aprovado em 2012. A organização de greve já adiantou que não aceita a proposta da Prefeitura. Segundo eles, há uma adesão de 70% dos funcionários.

“Ninguém vai demitir por reivindicar melhores salários, o que não pode é fazer motim, coagir os outros. São grupos criminosos que estão sendo investigados”, afirmou o prefeito.

O movimento quer o piso de R$ 1.200, que com o adicional de 40% por insalubridade ficaria em R$ 1.680. Hoje, o piso é de R$ 803. A proposta de Paes, para suspender as demissões, surgiu após uma reunião com o defensor público geral do Rio, Nilson Bruno, que havia se encontrado antes com dez representantes do movimento grevista. “Nove concordaram com a proposta. Apenas um, Celio Gari, foi contra”, explicou o defensor.

De acordo com um policial do 6º BPM (Tijuca), PMs também escoltaram garis que iniciaram a limpeza na Avenida Boulevard 28 de Setembro, a principal via de Vila Isabel, na Zona Norte. Militares do 4º BPM (São Cristóvão) também deram apoio a coleta de entulho na área de atuação do batalhão, na mesma região.

Casos de polícia

Nesta quarta-feira, em Campo Grande, na Zona Oeste, uma confusão foi parar na delegacia. A briga ocorreu na gerência da Comlurb no bairro, quando um ônibus com cerca de 50 funcionários seguia para o Sambódromo. O gerente Everaldo dos Santos Vargas, 43, acusa o gari Luis Fernando de Sousa de agressão.

“Um dos garotos (Luis) tentou quebrar o ônibus e eu o impedi com um empurrão. Nessa hora, ele me deu um soco na cara. Outros ainda me ameaçaram de morte”, contou Everaldo, que estava com um hematoma na parte superior do olho esquerdo.

Em outro caso, homens teria quebrado o vidro de um veículo, na Central do Brasil, que também levava um equipe para trabalhar na Sapucaí. Em Ipanema, três garis foram presos ontem pelo crime de atentado contra a liberdade de trabalho, após terem ameaçado colegas.

Segundo Izabela Santoni, delegada da 12ªDP (Copacabana), testemunhas e vítimas seriam ouvidas. “Havia a informação de que eles estariam armados, mas isso não se confirmou”, disse.

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