Por bferreira

Rio - Histórias como a do ator Vinícius Romão de Souza, de 26 anos, solto depois de ficar 16 dias atrás das grades por causa de um crime que não cometeu, são mais comuns do que muitos imaginam. Outro jovem negro foi preso, acusado de participação no roubo de um veículo em Nova Iguaçu, no dia 27 de julho passado, apesar de ter apresentado provas de que não estava no local do crime.

O contínuo Douglas Moreira%2C de 19 anos%2C foi capturado no dia 9 de janeiro e só ganhou a liberdade há quatro semanas%3A ‘suspeita’ no FacebookAndré Mourão / Agência O Dia

O caso veio à tona com a prisão em flagrante por receptação de Rodrigo da Costa Arruda, de 21 anos, capturado em agosto depois de colocar à venda as rodas e os pneus do veículo roubado em um site de compras. A Polícia Civil identificou dois suspeitos entre os amigos de Rodrigo no Facebook. Para identificá-los, se baseou apenas na descrição dos ladrões dada pela vítima na 58ª DP (Posse).

Sem antecedentes criminais e com emprego fixo de carteira assinada, o contínuo Douglas Oliveira Moreira, de 19 anos, foi preso preventivamente, no dia 9 de janeiro, sem ao menos ser ouvido.

A defesa de Douglas apresentou à Justiça o registro digital do ponto, mostrando que ele saiu do trabalho às 19h no dia do roubo. E também o registro do RioCard comprovando que ele estava na Pavuna às 19h55, numa distância de 15 quilômetros do local do crime, que ocorreu às 20h. Com base nessas evidências, Douglas foi solto há quatro semanas e responde o processo em liberdade.

No dia 9 de janeiro, o relógio marcava 4h45 quando Douglas foi acordado por barulho de batidas na janela do quarto. Ainda sonolento, mas já assustado, imaginou que poderiam ser traficantes, em busca de refúgio na casa de moradores da Pavuna. Aqueles homens armados que arrombaram o portão da vila eram policiais. E estavam ali para prendê-lo.

Era o começo das agressões que Douglas disse ter sofrido. Segundo ele, os policiais o arrancaram pela janela do quarto de cueca a tapas. Quando entrou na viatura, disse ter levado uma coronhada no joelho. “Por ser negro, pobre e morar em comunidade, estou sujeito a passar por isso”, lamentou.

A Comissão de Direitos Humanos da Alerj acompanha o drama de Douglas. “É o caso de uma pessoa negra, reconhecida por uma foto no Facebook. Se antes, a polícia tivesse feito uma investigação básica, ele não precisaria ter sido preso. O racismo, muitas vezes, está na estrutura institucional. A história do ator não é um caso isolado”, argumentou o deputado Marcelo Freixo, que preside a comissão.

Apontou sem ter certeza

No dia 16, a copeira Dalva Costa, de 51, foi assaltada no Méier e, pouco após o crime, acusou Vinícius Romão de ter cometido o roubo. Um agente de folga o prendeu baseado apenas no depoimento da vítima, que consistia na aparência física do ladrão. Com o ator, que usava roupa diferente da do criminoso, não foi achado nada roubado. Ele ficou 16 preso. Ao ser solto, ele disse não guardar mágoa da copeira.

Na quinta-feira, policiais da 26ª DP (Todos os Santos) prenderam Dione Mariano da Silva, de 24 anos, novo suspeito do crime. Ele afirmou ser morador de rua, tem uma passagem na polícia por furto e foi preso em flagrante com um revólver calibre 32 e mais seis munições. Ele, que nega o assalto, foi autuado por porte ilegal de arma.

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