Por bianca.lobianco

Rio - Uma ação criminosa que beirou a ficção assustou moradores do prédio onde mora Jessé da Silva, pai de Zeca Pagodinho, no Pechincha, em Jacarepaguá, ontem de manhã. Um bandido invadiu apartamento, fez criança refém e conseguiu fugir levando R$ 5 mil, mesmo com policiais de prontidão na porta do edifício. 

Por volta das 8h, o criminoso, com manta branca enrolada no braço, rendeu o porteiro e uma faxineira, dizendo estar com fuzil AK-47. Logo em seguida, abordou a farmacêutica Renata Couto de Oliveira, moradora do prédio.

Homem escapou mesmo com vários policiais na porta do condomínioAndré Mourão / Agência O Dia

Dizendo-se procurado pela polícia, ele pegou o filho de 2 anos e 11 meses da farmacêutica e pediu R$ 40 mil para ir embora sem machucar a criança. Assustada, Renata ligou para a gerente do banco e pediu R$ 25 mil pois precisava trocar de carro.

DELEGADA LAMENTA

A bancária, porém, disse que só poderia liberar sem aviso prévio o limite máximo de R$ 5 mil, e Renata foi até a agência pegar o dinheiro, deixando o bandido em casa com o filh</MC>o pequeno, o porteiro e a faxineira. Logo após retornar do banco, as polícias Civil e Militar foram acionadas por telefonema anônimo — que teria sido dado pela gerente do banco — e equipe da 41ª (Tanque) chegou rapidamente ao local.

A moradora, no entanto, ficou assustada com a presença dos policiais e negou que estivesse sendo assaltada naquele momento. Desconfiados, os agentes foram até o apartamento, mas o ladrão havia descido pela escada levando os R$ 5 mil. Minutos depois, por incrível que pareça, ele voltou ao prédio pedindo mais dinheiro para a vítima, que não tinha.

Apesar de os policiais estarem de prontidão na porta do prédio, Renata e o porteiro só tiveram coragem de contar a verdade aos policiais após o ladrão ter passado na frente deles e ido embora. “A gente estava na porta. E poderíamos ter pego o cara. Mas ninguém confirmava nada”, lamentou a delegada Marcia Julião.

Uma questão de honra

A delegada Márcia Julião estava inconsolada por não ter conseguido prender o bandido em flagrante numa ação em que seus homens chegaram rapidamente ao local.

“A moradora eu entendo melhor porque havia um cara com o filho dela. O porteiro, no entanto, poderia ter feito um simples sinal, e a gente pegaria o bandido. Ficamos chateados por não termos pego o cara com a boca na botija, mas não podemos exigir das vítimas o preparo emocional que temos. Acontece”, lamentou a delegada.

Márcia Julião, no entanto, diz que prender o bandido é questão de honra para a delegacia. E prometeu uma solução rápida: “Vamos apanhar ele”, disse.

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