Por thiago.antunes

Rio - Imagens gravadas por câmeras de monitoramento da Rocinha e de viaturas — exibidas ontem pelo ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo — captaram imagens de grupo tentando impedir o trabalho de policiais da UPP. As cenas são impressionantes: os homens agridem com chutes e empurrões os PMs, que não reagem. Outros suspeitos jogam tijolos e pedras nas viaturas. Um deles é flagrado quebrando o vidro do carro da unidade com uma pá.

As imagens foram registradas no dia 25 de dezembro, quando policiais fizeram a apreensão de mochila com armas e drogas. Durante o trabalho, os policiais são cercados e o tumulto começa. Um PM que tenta prender um dos acusados é impedido pelo grupo, apontado pela polícia como pessoas incentivadas pelo tráfico a atrapalhar a PM.

O delegado da 11ª DP (Rocinha), Gabriel Ferrando, identificou quatro integrantes do ataque e vai pedir a prisão deles: Alex Duarte Monteiro, de 21; Clayton Vieira Alves, de 25; Jony Moreira de Lima, de 21; e Leandro Oliveira Coelho, de 31.

Suspeito de planejar ataque é preso

Apontado por investigadores como um dos responsáveis por planejar o ataque à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, no dia 16, Paulo Roberto dos Santos, o Braddock, de 44 anos, foi preso por policiais da 11ª DP (Rocinha) ontem de manhã. Na ocasião, o chefe da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), coronel Frederico Caldas, a comandante da UPP Rocinha, major Pricila Azevedo, e um sargento lotado na unidade ficaram feridos.

A ação que culminou na prisão do suspeito teve apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), ocorreu no início da manhã e durou 20 minutos. “Foi uma ação cirúrgica sem a necessidade de efetuar um único disparo. Foi uma operação da inteligência, que durou menos de meia hora e terminou com o acusado preso sem chance de resistência”, disse o delegado Gabriel Ferrando, da 11ª DP, afirmando que os outros envolvidos no ataque estão identificados.

Chefe das UPPs%2C o coronel Frederico Caldas foi um dos feridos%2C dia 16Ernesto Carriço / Agência O Dia

“Não vamos divulgar os nomes pois queremos prendê-los em novas ações, pontuais e estratégicas como a de hoje (ontem), sem colocar em risco a vida dos moradores”, destacou.
O delegado afirmou que investiga se Braddock — indiciado por associação ao tráfico, tráfico de drogas e tentativa de homicídio — participou efetivamente do atentado no dia 16. Com passagens por homicídio, roubo e tráfico de drogas e em liberdade desde o ano passado, o suspeito negou participação no episódio.

“Estão me julgando perante meu currículo. Tive envolvimento no passado, mas já paguei minhas penas. Só porque já fui preso nove vezes estou sendo escrachado. Sou eletricista e trabalho fazendo biscate. Não consigo emprego. Sou discriminado por ser ex-presidiário.”

Paulo Roberto Santos%2C o Bradock%2C já tem nove passagens pela polícia. Ele afirma ser inocenteFabio Gonçalves / Agência O Dia

De acordo com o delegado Ferrando, Braddock integra o bando do traficante Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma — que controla parte das bocas de fumo na Rocinha. Ainda segundo o policial, atualmente a facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) mantém o domínio na favela, cujo controle é disputado entre Djalma e Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. “O ataque foi orquestrado pelo bando do Djalma”, finalizou.

Reportagem de Roberta Trindade

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