Por paulo.gomes

Rio - Cerca de 50 policiais entre agentes da Divisão de Homicídios (DH) e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário realizaram na tarde desta sexta-feira uma perícia preliminar para apurar a morte do subcomandante da PM, Leidson Acácio Alves da Silva. Segundo os investigadores, Leidson e mais quatro policiais desciam próximo ao número 44 na Rua 10, quando foram encurralados pelos traficantes.

Policiais da Divisão de Homicídios participaram da perícia nesta sexta-feira no Complexo do AlemãoSeverino Silva / Agência O Dia

"Participaram da perícia dois PMs que estavam juntos com o subcomandante. Isso foi esclarecedor para entender a dinâmica da ação. Colocamos os PMs nos seus devidos locais, E houve, de fato, uma emboscada feita por cerca de sete criminosos", disse o delegado da DH, Rivaldo Barbosa.

De acordo com a investigação, o tiro que atingiu Leidson Acácio entrou na parte inferior da nuca e saiu pelo crânio. Os bandidos estariam em cima de uma laje aguardando a passagem dos policiais. Rivaldo garante que a polícia vai prender os traficantes que mataram o quarto PM na comunidade em um mês.

"Vamos dar a resposta devida. Já esclarecemos outras mortes de PMs e agora vamos prende-los. Mas, o importante é que a comunidade tem que se voltar contra essa minoria que quer matar os PMs", diz o delegado, que também investiga se a ordem do ataque realmente partiu dentro de um presídio.

Menor pode estar ligado à morte de subcomandante

No começo da tarde desta sexta, PMs da UPP Fazendinha apreenderam um menor conhecido como Neném da Rajada, que pode estar ligado à morte do subcomandante da UPP Vila Cruzeiro. Segundo os PMs, Neném foi localizado em um matagal perto da favela, vizinha ao Parque Proletário.

No celular do adolescente, os policiais encontraram mensagens sobre ataques a tiros contra PMs e ainda acharam foto dele com um fuzil. Na 45ª DP (Complexo do Alemão), outros policiais da UPP reconheceram o menor como um dos homens que participaram da morte do policial.

Viúva (na frente) e mãe de PM falaram rapidamente com a imprensaFelipe Freire / Agência O Dia

'Bope realizará ações no Alemão 24h por dia', diz comandante da PM

Após a morte de Leidson, o comandante da corporação, coronel José Luís Castro Menezes disse que a corporação está levando a companhia de instrução do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para dentro do Complexo do Alemão e em áreas que tenham ligações diretas ou indiretas com o Alemão e a Vila Cruzeiro. A informação foi dada nesta sexta-feira.

Além do treinamento que vamos dar aos PMs com a companhia de instrução do Bope, as ações serão permanentes, 24h por dia, enquanto for necessário", afirmou o coronel José Luís Castro.

"Nos reunimos hoje e decidimos, a partir de amanhã (sábado), deslocar uma companhia de instrução do Batalhão de Operações Especiais para o Alemão, reforçar o efetivo com mais 100 policiais militares que vão passar diariamente por estes treinamentos com o Bope, aperfeiçoando seu treinamento."

"É importante que os moradores confiem no trabalho da polícia com denúncias de armas, drogas e esconderijos", pediu ele em entrevista ao RJTV.

José Luís Castro Menezes também pediu ao Congresso Nacional que cumpra seu papel, aumentando a pena das prisões dos criminosos.

PMs reforçaram patrulhamento no Parque Proletário após morte de subcomandanteSeverino Silva / Agência O Dia

'A cidade vive uma guerra, mas estamos trabalhando contra isso', diz Beltrame

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou, nesta sexta-feira, durante a formatura de 470 PMs em Sulacap, na Zona Oeste do Rio, que 'a cidade vive uma guerra'. "Nós estamos vivendo em uma guerra, mas estamos trabalhando para combater isso. Temos esses problemas porque assim deixaram. Não desistam de lutar. É mais fácil ser pessimista que otimista. Ser pessimista é se jogar ao nada. Ser otimista nos desafia e nos tira da inércia", disse Beltrame, se dirigindo aos formandos.

O secretário lamentou a morte de Leidson Acácio. "Não é um dia feliz. Mas cada um de vocês tem uma história que foi construída para que vocês chegassem até aqui. Sem segurança não há emprego e desenvolvimento. O que vocês fazem é garantir na rua o direito democrático", pontuou.

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