Por thiago.antunes

Rio - Cerca de 50 agentes da Divisão de Homicídios (DH) e policiais da UPP Parque Proletário fazem uma perícia preliminar, na tarde desta sexta-feira, onde o subcomandante Leidson Acácio Alves da Silva, 27 anos, foi baleado e morto.

Colegas que estavam juntos com a vítima no momento do ataque dos bandidos também estão no local. Os policiais reproduzem a cena do crime.

Menor pode estar ligado à morte de subcomandante

No começo da tarde desta sexta, PMs da UPP Fazendinha apreenderam um menor conhecido como Neném da Rajada, que pode estar ligado à morte do subcomandante da UPP Vila Cruzeiro. Segundo os PMs, Neném foi localizado em um matagal perto da favela, vizinha ao Parque Proletário.

No celular do adolescente, os policiais encontraram mensagens sobre ataques a tiros contra PMs e ainda acharam foto dele com um fuzil. Na 45ª DP (Complexo do Alemão), outros policiais da UPP reconheceram o menor como um dos homens que participaram da morte do policial.

Familiares chegam ao hospital Getúlio VargasOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Jaqueline Oliveira, viúva de Leidson, chegou na manhã desta sexta-feira ao Instituto Médico Legal, no Centro, para reconhecer o corpo. Muito abalada, ela disse que o PM foi seu primeiro namorado e que o casal não tinha filhos. Ela chegou acompanhada da mãe do tenente, que também estava visivelmente abatida. A vítima era de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O casamento dos dois foi realizado no dia 22 de abril de 2013.

Leidson foi atingido com um tiro na testa durante ataque de suspeitos à base da UPP Vila Cruzeiro. Jaqueline deixou uma homenagem emocionada ao marido no Facebook por volta das 4h da manhã desta sexta. “Me lembro bem a primeira vez que eu te olhei nos teus olhos eu encontrei ternura e amor como eu nunca vi igual. Meu amor é muito mais do que eu podia imaginar ... Se uma lágrima cair do meu olhar, não leve a mal é o meu coração querendo te encontrar...”, escreveu.

'Bope realizará ações no Alemão 24h por dia', diz comandante da PM

Após a morte de Leidson, o comandante da corporação, coronel José Luís Castro Menezes disse que a corporção está levando a companhia de instrução do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para dentro do Complexo do Alemão e em áreas que tenham ligações diretas ou indiretas com o Alemão e a Vila Cruzeiro. A informação foi dada nesta sexta-feira.

Parentes e colegas do PM estavam inconsoláveisOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Alem do treinamento que vamos dar aos PMs com a companhia de instrução do Bope, as ações serão permanentes, 24h por dia, enquanto for necessário", afirmou o coronel José Luís Castro.

"Nos reunimos hoje e decidimos, a partir de amanhã (sábado), deslocar uma companhia de instrução do Batalhão de Operações Especiais para o Alemão, reforçar o efetivo com mais 100 policiais militares que vão passar diariamente por estes treinamentos com o Bope, aperfeiçoando seu treinamento."

"É importante que os moradores confiem no trabalho da polícia com denúncias de armas, drogas e esconderijos", pediu ele em entrevista ao RJTV.

José Luís Castro Menezes também pediu ao Congresso Nacional que cumpra seu papel, aumentando a pena das prisões dos criminosos.

'A cidade vive uma guerra, mas estamos trabalhando contra isso', diz Beltrame

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou, nesta sexta-feira, durante a formatura de 470 PMs em Sulacap, na Zona Oeste do Rio, que 'a cidade vive uma guerra'. "Nós estamos vivendo em uma guerra, mas estamos trabalhando para combater isso. Temos esses problemas porque assim deixaram. Não desistam de lutar. É mais fácil ser pessimista que otimista. Ser pessimista é se jogar ao nada. Ser otimista nos desafia e nos tira da inércia", disse Beltrame, se dirigindo aos formandos.

O secretário lamentou a morte do tenente Leidson Acácio Alves Silva. "Não é um dia feliz. Mas cada um de vocês tem uma história que foi construída para que vocês chegassem até aqui. Sem segurança não há emprego e desenvolvimento. O que vocês fazem é garantir na rua o direito democrático", pontuou.

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