Por paulo.gomes

Rio - O comandante da UPP Parque Proletário, major Bruno Amaral, e o delegado da 45ª DP (Alemão), Felipe Cury, estariam na mira de traficantes da Penha, segundo ligações interceptadas pela Inteligência da Polícia Civil. O conteúdo da conversa foi enviado para a Secretaria de Segurança e a cúpula da PM.

Nesta sexta-feira à noite, houve nova troca de tiros na Penha. Não houve registro de feridos. Mais cedo, dois PMs que estavam na hora do ataque participaram da perícia complementar no local. As dezenas de perfurações nas paredes e telhados de casas na Rua 10, numa área entre o Parque Proletário com a Vila Cruzeiro, onde o subtenente da PM Leidson Acácio Alves da Silva foi atingido, evidenciam que a morte não ocorreu em um simples confronto. “Houve emboscada feita por cerca de sete criminosos. Segundo os relatos dos PMs e marcas, teriam traficantes do alto das lajes”, disse o delegado da Divisão de Homicídios Rivaldo Barbosa, não descartando que a ordem do ataque possa ter partido de presídio.

Peritos analisam o local onde o subcomandantes de UPP foi baleado, na Rua 10, quinta-feira à noiteSeverino Silva / Agência O Dia

Segundo a Polícia Civil, o tiro que atingiu Leidson teria entrado na parte inferior da nuca e saído na parte superior do crânio. Na Rocinha, na sexta-feira à tarde, bando atacou PMs da UPP local. Não houve prisões nem feridos.

Reação ao tráfico leva ‘caveiras’ ao Alemão

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou nesta sexta-feira que irá deslocar a Companhia de Instrução do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para o Complexo do Alemão. Homens da tropa de elite da PM ficarão na área por tempo indeterminado. A medida é uma resposta aos ataques orquestrados pelo tráfico, que deixou quatro policiais de Unidades de Polícia Pacificadora do Alemão e da Penha mortos nos últimos 40 dias. O último deles, Leidson Acácio Alves Silva, de 27 anos, subcomandante da UPP do Parque Proletário, quinta-feira à noite.

A intenção é que cerca de 100 policiais de UPPs reforcem o efetivo no Alemão e na Penha e passem diariamente por treinamento com o Bope.

“Temos problemas de guerra no Rio, porque deixaram chegar a esse ponto. Temos dificuldades e desafios”, disse Beltrame, durante formatura de policiais nesta sexta-feira.

Familiares%2C amigos e colegas se despedem do tenente Leidson Acácio%2C no Jardim da Saudade%3A ele foi o 11º policial de UPP morto desde 2008FolhaPress

“Não somos vingadores. Nossa reposta será profissional”, afirmou o coronel Frederico Caldas, que está à frente da Coordenadoria de Polícia Pacificadora.

Especialistas ouvidos pelo DIA aprovam a atitude. Mas acreditam que ela representa um recuo no processo de pacificação.

“Os acontecimentos recentes estão deixando claro que os policiais de algumas UPPs estão expostos. Se o Bope é a melhor opção? Tenho as minhas dúvidas, porque o Bope é uma unidade de enfrentamento. O meu receio é que a gente tenha um retrocesso da ação policial à alternativa de proximidade”, argumenta João Trajano, professor de Ciências Políticas e coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj.

A antropóloga Alda Zaluar teme que o ingresso da tropa de elite da PM no Alemão possa intensificar os tiroteios com mortes. “Não houve uma perda na política de proximidade, mas houve um recuo. É uma medida arriscada, porque pode representar mais mortes. Inclusive, de inocentes”, diz.

Eurico de Lima Figueiredo, professor de Estudos Estratégicos da UFF, acredita que a medida é emergencial. “O Bope não vai lá para distribuir bombons. É para reprimir o tráfico e usar a força, se necessário”, diz.

Reportagens de Felipe Freire, Herculano Barreto Filho, Marcello Victor e Roberta Trindade

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