Por paulo.gomes

Rio - O racismo no Brasil precisa deixar de ser disfarçado. O pedido é da ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, que esteve na comemoração do centenário do líder negro e ex-senador (PDT) Abdias Nascimento (1914-2011), nesta sexta-feira, na Praça Mauá.

O ex-zagueiro Thuram cumprimenta a ministra da Igualdade Racial%2C Luiza Bairros%2C durante o eventoPaulo Araújo / Agência O Dia

“Não estamos vivendo um aumento dos casos de racismo, mas sim eles estão vindo à tona. Para combater o racismo precisamos torná-lo explícito”, disse a ministra, criticando o preconceito que acontece de maneira velada, como as piadas aparentemente inocentes. “O racismo deve ser combatido na sua forma crua.”

Abdias foi um importante lider negro, que chegou a senador assumindo a cadeira de Darcy Ribeiro, em 1997. Em sua trajetória criou ainda o Teatro Experimental do Negro, em 1944, pois sentia falta de afrodescendentes na dramaturgia brasileira. “Hoje, o que nós precisamos é de uma TV experimental negra”, sugeriu a atriz Léa Garcia, remanescente do grupo teatral de Abdias, criticando os poucos papéis para negros.

A cerimônia começou na sede da Ação da Cidadania com uma mesa formada por intelectuais, professores universitários, políticos e ativistas. O ex-zagueiro francês Lilian Thuram, campeão da Copa de 1998, esteve no evento. “Não se deve esquecer que a maioria dos brasileiros é afrodescendente”, disse.

Estiveram presentes ainda o professor Anani Dzidzienyo, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, e um professor do Congo, Kabengele Munanga, que lembrou da luta de Abdias pela inclusão. “Ele deixou um legado para a sociedade. Foi um brasileiro no mundo.” A viúva de Abdias, Elisa, ficou feliz com o cortejo que atravessou a Barão de Tefé para chegar ao Cais do Valongo, onde milhares de negros morreram e foram enterrados em vala comum. “Se ele visse esta festa, estaria feliz.”

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