Por thiago.antunes

Rio - É impressionante como as pessoas que mais se doam às boas obras geralmente são as mais humildes e também as que têm mais fé na providência divina, já reparou nisso? Um desses homens maravilhosos marcou a minha história. Há muitos anos, eu pude assistir ao crescimento estrondoso do trabalho da Pastoral dos Vicentinos em uma paróquia, a partir do momento em que ele assumiu a coordenação dos trabalhos.

Era ele quem ia às missas e incentivava a comunidade a participar da Campanha do Quilo. Ele também escolhia a equipe de trabalho para a visita às famílias que receberiam os alimentos, porque fazia questão de entregar tudo em casa, para conversar e conviver com os irmãos assistidos. Era ele quem envolvia as outras pastorais em campanhas de Natal, com cestas temáticas e presentes para as crianças pobres da comunidade, campanhas contra a desnutrição infantil ou para conseguir fraldas geriátricas.

Foi ele também quem iniciou um sopão para os moradores de rua da redondeza e quem correu atrás de doações de alimentos. Ele fazia tudo com tanto amor! Era um trabalhador incansável das causas do Reino de Deus e o próprio Senhor o honrava fazendo com que suas iniciativas fossem frutuosas. Certa vez, precisei que ele me orientasse sobre como organizar uma campanha com a minha pastoral e fui à casa dele. Quando ele me viu, seus olhos brilharam receptivamente. Sua casa tinha apenas três minúsculos cômodos. Mas a minha surpresa veio quando ele me ofereceu um refresco... Ele abriu a geladeira e eu pude ver que só tinha água, aquele refresco de maracujá, um pote de margarina e ovos. Estava bem vazia!

Como era possível que aquele homem que arrecadava tanto para os pobres vivesse com tão pouco? Não me contive e perguntei o que estava acontecendo. Ele apenas sorriu e disse que precisava de muito pouco para viver bem. Contou que enviava praticamente todo o seu salário para o tratamento de saúde da mãe, em outro estado. E me afirmou que tinha o básico e que assim era feliz: “Estou melhor do que mereço! Nunca me faltou feijão e arroz. Às vezes tenho ovo, às vezes frango ou carne. E Deus sempre providencia algo diferente que eu deseje comer... No outro dia, quando passei na porta de um restaurante, o dono me chamou e ofereceu bolinho de bacalhau, porque fritaram a mais e iria para o lixo! Tenho tudo do que preciso, acredite!”

Perguntei a ele por que ele nunca externou suas dificuldades e nem usufruiu dos benefícios do seu trabalho na igreja. Ele me disse: “Deus me livre de pedir algo para mim! Sou grato pelo que tenho.” Com ele eu aprendi uma lição para a vida toda, que é justamente a que ensina a carta de São Paulo aos Coríntios, sobre a caridade: “Não busca seus próprios interesses” (I Cor13,5b)

Aquele homem pedia coisas para os pobres, mas não para si. Vivia em função dos menos favorecidos. Com ele aprendi que se a gente cuida do outro, Deus cuida de nós. Como ele, também quero me importar mais com meus irmãos. E você, está disposto a fazer essa experiência? Então, ‘tamu junto’.

Padre Omar é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail [email protected]. Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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