Morte de mulher em ação da polícia revolta marido

Operação foi realizada em Madureira. PMs teriam arrastado corpo da vítima pela rua

Por O Dia

Rio - Dia de dor e revolta em Madureira. Incursão de policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) no início da manhã deste domingo, no Morro da Congonha, terminou com as mortes da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, e de uma pessoa não identificada. Após ser atingida, a auxiliar de serviços gerais teria sido arrastada pelos policiais, o que causou revolta entre os moradores, que fecharam a Avenida Ministro Edgar Romero de manhã. À noite, houve novo protesto e mais tiroteio: dois ônibus teriam sido incendiados, e a via foi interditada.

Claudia foi baleada no Morro da CongonhaReprodução

Segundo o marido da vítima, Alexandre Fernandes da Silva, de 41 anos, que é vigia e estava trabalhando no Mercadão de Madureira, perto do Morro do Congonha, a esposa tinha acabado de sair de casa para comprar pão quando foi atingida. Ele contou também que ficou revoltado ao ser informado por outros moradores sobre como os policiais teriam procedido com a mulher após ela ser baleada.

“Eles arrastaram o corpo dela no asfalto. A perna ficou toda em carne viva. Foi um absurdo”, desabafou. Ele diz que tinha saído para trabalhar às 6h e não havia qualquer operação policial na comunidade: “Vamos correr atrás para que os culpados sejam punidos”.

O confronto ocorreu por volta de 8h30 e, de acordo com a polícia, uma guarnição da PM fazia patrulhamento de rotina quando foi encurralada por cerca de 20 bandidos, que iniciaram intensa troca de tiros. Ainda segundo a polícia, a auxiliar foi atingida durante o confronto com os criminosos. Um suspeito não identificado foi morto, enquanto outro ficou ferido. Com os dois foram apreendidas quatro pistolas e drogas.

Os moradores, no entanto, garantem que não houve qualquer tiroteio entre policiais e criminosos, mas que a polícia já chegou à comunidade atirando. Atingida no peito, a auxiliar de serviços gerais foi encaminhada para o Hospital Carlos Chagas, mas não resistiu aos ferimentos.

Mãe de 4 filhos e batalhadora

Cláudia Silva Ferreira trabalhava há três anos como auxiliar de serviços gerais em uma empresa terceirizada no Hospital Naval Marcílio Dias, que fica no Lins de Vasconcelos. De acordo com o marido, Alexandre Fernandes da Silva, a esposa acordava diariamente às 3h30 da manhã para estar no hospital às 6h, onde trabalhava de segunda a sexta-feira. “Ela sempre foi muito trabalhadora”, lembrou ele.

Conhecida no Morro da Congonha como Cacau, a auxiliar de serviços gerais era mãe de quatro filhos e ainda criava os quatro sobrinhos de uma irmã. “Ainda nem tive tempo de conversar com meus filhos, que chegaram a ver a mãe baleada”, desabafou.

Últimas de Rio De Janeiro