PM divulga nomes dos cinco policiais envolvidos na morte de moradora

Rodney Miguel, Adir Serrano Machado e Alex Sandro da Silva Alves foram presos por não cumprirem as regras militares que regulam o resgate de vítima

Por O Dia

Rio - A polícia divulgou, na tarde desta segunda-feira, o nome dos cinco PMs que estão envolvidos na morte de Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, baleada durante confronto entre policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e traficantes do Morro da Congonha, em Madureira, na Zona Norte, neste domingo. Dos cinco, três já foram autuados. Os sub-tenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado e o sargento Alex Sandro da Silva Alves foram presos por não cumprirem as regras militares que regulam o resgate de vítima. De acordo com populares, a moradora foi posta dentro do porta-malas da viatura da PM, ao invés do banco de trás; rolou para fora do veículo e ficou pendurada no para-choque do carro apenas por um pedaço de roupa. O corpo da mulher foi arrastado pelo asfalto por mais de 200 metros. 

Claudia foi baleada e arrastada pela viatura da PM por mais de 200 metros a caminho do Hospital Getúlio VargasReprodução

O 1º tenente Rodrigo Medeiros Boaventura e o 2º sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, que faziam parte da guarnição, estão sendo investigados e responderão a inquérito policial. 

Uma perícia será feita na viatura pelo Centro de Criminalística da PM. O caso está sendo investigado pela 29ª DP (Madureira) e pela 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Em nota, o comando da Polícia Militar informou "que este tipo de conduta não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana".

O porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudio Costa, também lamentou a ação dos PMs e garante que eles serão responsabilizados."Os policiais estão sendo autuados e vão responder por suas atitudes. No mínimo alguém deveria estar amparando a vítima no banco de trás", afirma.

Marido de mulher arrastada por PMs pede que a Justiça seja feita

O marido de Cláudia Ferreira da Silva, Alexandre Fernandes da Silva questionou a ação dos PMs quando tentavam socorrer a vítima."Foi um descaso que eles fizeram, jogaram ela que nem bicho dentro do carro e saíram. Eu não consigo entender o motivo deles tê-la levado pela Intendente Magalhães, se lá não é o caminho mais próximo para o Carlos Chagas (hospital em Marechal Hermes para aonde Cláudia foi levada). Queremos que a justiça seja feita", disse Alexandre.

"Nem o pior traficante deve ser tratado assim. As pessoas a viram sendo carregada pelos PMs, agonizando", afirma o marido de Cláudia, lembrando que o casal de filhos gêmeos completará 10 anos no próximo domingo. "E esse é o presente que deram a eles (filhos)".

Irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, 42 anos, garante que a família processará o Estado. "A família está toda desestruturada. Todo dia é isso que a gente vê, essa injustiça da PM matando inocente. Vamos processar a PM e quem mais tiver culpa. Porque senão, esse caso vai ser mais um Amarildo. Foi uma execução", garante.

Marido de Cláudia questiona caminho feito por PMs para levá-la ao hospitalAlessandro Costa / Agência O Dia

Mulher arrastada por viatura da PM é sepultada

A comoção era grande entre as cerca de 200 pessoas que participaram no início da tarde desta segunda-feira, no cemitério de Irajá, Zona Norte, do sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva. Familiares e amigos pediram por justiça na hora em que o corpo era enterrado. Segundo consta no atestado de óbito, Cláudia la foi morta por tiros:"laceração cardíaca e pulmonar decorrentes de ferimento transfixante do tórax perfuro contundente". 

Logo após o sepultamento de Cláudia, cerca de 100 moradores da Congonha fecharam parcialmente a Avenida Ministro Edgard Romero, na altura da comunidade, e realizaram um novo protesto por conta da morte da auxiliar de serviços gerais. Os manifestantes carregaram uma faixa com os dizeres: "A PM matou mais um morador de uma favela do Rio de Janeiro". Mesmo com o clima tenso, a manifestação seguiu pacífica e com os policiais militares acompanhando.

Cerca de 200 pessoas participaram do sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva%2C na tarde desta segunda-feiraAlessandro Costa / Agência O Dia




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