Revoltados, moradores de Nova Iguaçu fazem protesto contra falta d'água

Manifestação ocorreu em frente ao Hospital da Posse

Por O Dia

Rio - Há quatro meses sem uma gota d’água, moradores da Posse, em Nova Iguaçu, fizeram ontem— pelo segundo dia consecutivo — uma manifestação pelas ruas do bairro. Revoltados com a Cedae, um grupo de aproximadamente 50 pessoas, a maioria mulheres, ateou fogo em pneus, sofás, galhos de árvores, peças de carro e de madeira, bloqueando a passagem em três ruas. Um novo protesto deverá acontecer amanhã.

A manifestação começou por volta das 6h, quando um grupo fechou a Avenida Henrique Duque Estrada Mayer, em frente ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, conhecido como Hospital da Posse. Em seguida, se deslocaram para a Rua Farroupilha e depois interditaram uma parte da Estrada Luís de Lemos, principal acesso ao bairro Miguel Couto. O trânsito foi desviado para ruas vizinhas.

Somente duas horas após o início do manifesto, policiais do 20º BPM (Mesquita) chegaram ao local em quatro viaturas para deliberar as vias e conter a revolta dos moradores. A confusão só 1acabou após o trabalho dos bombeiros do grupamento de Nova Iguaçu que apagaram as chamas de todos os objetos usados pelos manifestantes.

Revoltados%2C moradores protestam contra falta d'água em Nova IguaçuJorge Ferreira / Agência O Dia

MAIS PROTESTO

Caso o problema não seja resolvido, moradores de diversos bairros de Nova Iguaçu prometem fazer uma grande manifestação no dia 28 de março, na Praça Rui Barbosa, no Centro. Denominada como ‘Cedae, a vergonha da Baixada. Eu quero água’, o protesto será feito das 9 às 14h e deve reunir cerca de 200 pessoa.
Com problema nos rins e tendo que beber pelo menos quatro litros de água diariamente, a costureira Fátima Regina da Conceição, de 48 anos, moradora da Posse, conta que falta água em sua casa tomar banho e até para cozinhar.

“É um sofrimento de quatro meses. Estou gastando R$ 40 por semana com a compra de cinco galões d’água. Com meu problema de saúde, tendo a piorar”, reclama Fátima Regina, que vive com o marido de 70 anos, que tem Parkinson — doença que provoca tremores e dificuldade na coordenação.

Um morador que não se identificou não aprovou a queima de objetos durante o protesto.“ É bom lembrar que não temos água no bairro. Não podemos gastar água à toa. Temos que economizar. Está difícil a situação”, afirmou o comerciante.

A Cedae informou através de sua assessoria de imprensa que ‘não existe um bairro inteiro desabastecido em Nova Iguaçu’. Ainda segundo à nota, os problemas são pontuais e concentrados em áreas altas ou no fim de rede. A Cedae confirmou ainda que a região com abastecimento irregular é a do entorno da Posse, como os bairros Cerâmica, Caioaba, Botafogo, Três Corações e Carmari.

Moradores atearam fogo em pneus durante protesto em frente ao Hospital da PosseJorge Ferreira / Agência O Dia



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