Por bianca.lobianco

Rio - Eles assumem qualquer risco em troca de um bom retorno financeiro. De olho na Copa do Mundo, moradores das Zonas Norte e Sul estão colocando imóveis próprios para locação por até 22 vezes o valor normal de um aluguel.O comerciante Luiz Silveira fechou, na semana passada, a locação de seu apartamento de 62 metros quadrados no Grajaú para um casal de argentinos. O valor cobrado foi de R$ 33 mil, o equivalente a R$ 1.100 por dia — no bairro, a média de aluguel para um imóvel deste tamanho é de R$ 1,5 mil por mês.

A prática exige bastante cautela para não ter dor de cabeça no futuro. Especialistas em Direito apontam que, para se ter o mínimo de precaução, é fundamental fazer um inventário de todos os bens deixados no imóvel. O pagamento também deve ser adiantado e o locador tem que caprichar no contrato. “Deve ser feito um inventário de tudo que tem na casa. Desde a quantidade de copos até a conservação da pintura nas paredes. E precisa haver a inspeção do locador, para não ter problemas depois”, orienta o advogado especialista em Direito Imobiliário, Marcelo Tapai.

Morador do Cachambi há 18 anos%2C Pablo Travassos já anunciou na Internet%3A aluga um quarto por R%24 12 mil%2C de preferência%2C para homossexuaisAlexandre Vieira / Agência O Dia

“A minha exigência foi depósito antecipado. Não achei caro, achei justo. Afinal, vou deixar minha casa nas mãos deles”, conta Luiz, que levará do apartamento apenas os pertences de valor. “O armário do quarto ficará trancado e o resto ficará à disposição”, completa.

Morador do Cachambi há 18 anos, o professor de Inglês e Espanhol Pablo Travassos já anunciou na internet um quarto de seu apartamento pelos 30 dias do Mundial ao preço de R$ 12 mil. “Para a Copa, coloquei no anúncio que prefiro casais homossexuais. Vejo por aí que muitos têm preconceito. Eu quis deixar claro que não tenho nenhuma restrição”, explica.

O imóvel fica a dez quilômetros do Maracanã e próximo à estação do metrô de Maria da Graça. À disposição de seu locador, Pablo deixará o quarto com uma TV de LED de 32 polegadas, ar-condicionado e internet wifi. “Ele (o inquilino temporário) ficará no meu quarto. Durante os jogos, vou ver se viajo”, comenta Pablo, que já aluga um quarto do seu apartamento para um universitário de Belém (PA). Ele não revela o valor que recebe do atual inquilino, mas no bairro, um apartamento de dois quartos está por R$ 1,2 mil, em média.

De acordo com o Sindicaro da Habitação do Rio (Secovi), a Praça da Bandeira é um dos bairros mais cobiçados para a Copa. Lá, os preços são salgados, mas nada comparado à Tijuca e ao Maracanã. Um apartamento de dois quartos, com 90 metros quadrados, na Praça da Bandeira, sai a R$ 40 mil no mês, equivalente a R$ 1.333 por dia. Na Tijuca, é possível ver imóveis bem menores, com diárias a partir de R$ 2.500.

Para o vice-presidente do Secovi, Leonardo Schneider, o preço nas alturas é justificado pela comodidade de ficar em uma casa, ainda mais se for próxima ao local dos jogos. “Está três vezes mais caro que um aluguel normal, mas, em compensação, a pessoa pode levar quem quiser, diferente de um hotel”, encerra.

Metrô e Barcas se preparam

A 85 dias do Mundial, a cidade se prepara para atender e orientar turistas que vão assistir aos jogos no Maracanã. O MetrôRio, que tem áudio em inglês e instalou placas bilíngues em 18 estações, como General Osório e Del Castilho, promete equipar mais 19 paradas com as sinalizações especiais até maio. Ainda este mês, instala nas estações Acari, Glória, Saens Peña, Botafogo, São Cristóvão. Depois virão Siqueira Campos, Flamengo, Estácio, Central, Pavuna e Carioca.

Já a concessionária Barcas SA promete um material informativo aos clientes na Praça 15. Os folhetos serão bilíngues e terão mapas dos principais pontos do Rio. Também haverá reforço das equipes de orientação, com mais contratações.

Sinalização especial

Os turistas que estiverem na cidade vão encontrar sinalizações e placas de trânsito personalizadas, além de bilíngues. A CET-Rio promete uma atenção especial. No entanto, o órgão está terminando de confeccionar o material, que terá a logo oficial do evento promovido pela Fifa.

Os principais pontos de instalação das placas são os arredores dos aeroportos Internacional (Galeão) e Santos Dumont, além dos bairros de Copacabana, Maracanã e Barra. Já a Secretaria de Conservação iniciou a recuperação asfáltica nos bairros de acesso ao Maracanã. O entorno do estádio receberá sinalização horizontal bilíngue. A poucos meses, a Secretaria de Transportes informou que não finalizou o planejamento para as novas medidas.

Já a Supervia garante que estará plena até o evento: os funcionários do ‘Posso Ajudar’ estão recebendo treinamento trilíngue — português, inglês e espanhol —, e as estações também terão placas nos três idiomas.

Em relação às exibições dos jogos nas grandes arenas oficiais — ‘Fifa Fan Fests’ — a RioTur pretende publicar no Diário Oficial ainda esta semana o caderno de encargos para as empresas interessadas em patrocinar a estrutura.

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