Por thiago.antunes

Rio - O número de casos de dengue no município do Rio de Janeiro registrados este ano caiu 96% em relação ao mesmo período do ano de 2013 e é o menor dos últimos cinco anos. De acordo com balanço da Secretaria Municipal de Saúde, até o dia 18 de março, foram computados 797, enquanto no primeiro trimestre do ano passado houve 33.843 registros.

O Rio também saiu da lista dos dez municípios do país com mais casos de dengue no primeiro bimestre, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, no Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa), . O município também não registrou nenhum caso de morte pela doença neste ano.

Ações de conscientização e combate à dengue foram fundamentais%2C diz a prefeitura%3A moradores estão mais receptivos à visita dos agentesUanderson Fernandes / Agência O Dia

O bairro de Santa Cruz, por exemplo, registrou de janeiro a março do ano passado 1.606 casos e, até agora, teve 14. Jacarepaguá, que antes computava 2.766, tem neste ano 68. O subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde, Daniel Soranz atribuiu a conscientização da sociedade como o motivo para a redução.

“Hoje, a população tem outro conhecimento sobre a doença e está mais atenta aos focos de dengue do que antes, quando 80% das visitas de agentes da vigilância da saúde em domicílios eram recusadas. Hoje, já temos 92% de entrada. Além disso, também cresceu o número de denúncias da população de vizinhos que mantêm água parada”, disse.

Segundo Soranz, o Rio também registrou o menor índice de focos de infestação de Aedes aegypti de sua história. Isto porque as pessoas evitaram o acúmulo de água parada em depósitos móveis, como vasos de planta, bebedouros, garrafas e pneus.

Clique no infográfico para ver maiorArte%3A O Dia

Porém, ele afirma que a redução brusca do número de casos de dengue nada tem a ver com a falta de chuvas deste início de ano. “O número de casos de dengue também caiu muito no ano passado em relação ao retrasado, logo o que está fazendo a diferença é a preocupação das pessoas”, afirmou.

No final do ano passado, o Ministério da Saúde colocou o Rio de Janeiro na lista de das 11 cidades em situação de alerta para a doença, junto com Boa Vista, Manaus, Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Goiânia, Campo Grande e Vitória. O Rio foi incluído por ser a maior cidade tropical do país e, também, por reunir condições climáticas que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
Em 2011 e 2013, o Rio esteve na lista das dez cidades com casos de dengue do Ministério da Saúde. Neste primeiro bimestre, os municípios mais afetados foram Goiânia (GO), com 6.089; Luziânia (GO), 2.888; Aparecida de Goiânia (GO), 1.838; Campinas (SP), 1.739; Americana (SP), 1.692; Belo Horizonte (MG), 1.647; Maringá (PR), 1.540; São Paulo (SP), 1.536; Brasília (DF), 1.483; e Campo Belo (MG), 1.410.

Queda em todo o estado

O Estado do Rio de Janeiro também reduziu significamente o número de casos de dengue no primeiro bimestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2013, foram 56.294 casos e, neste, 2.608 ocorrências. Também foram registrados 265 casos graves no primeiro bimestre do ano passado, contra dez neste começo de ano. 

Fumacê%2C uma arma contra a proliferação do mosquito transmissorJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Duas pessoas morreram em decorrência da doença em janeiro e fevereiro deste ano, enquanto no bimestre do ano passado foram nove vítimas. Todas as regiões do país reduziram os casos no primeiro bimestre de 2014. Porém, a região Sudeste foi a que obteve a maior redução — passou de 232,5 mil notificações em 2013 para 36,9 mil, este ano. Em segundo lugar, ficou o Centro-Oeste, que passou de 122,8 mil para 28,2 mil; seguido do Nordeste, que teve queda de 29,6 mil para 7,9 mil.

Mais verbas para controle

Os casos de dengue no país inteiro cairam 80% no primeiro bimestre, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. No período, houve redução de 95% dos óbitos e de 84% dos casos graves. Foram registradas 87 mil notificações entre janeiro e fevereiro deste ano, contra 427 mil no passado.

O órgão atribuiu a diminuição a ações conjuntas com estados e municípios e ao dobro do recurso adicional enviado para vigilância, prevenção e controle da doença. Ao todo, foram repassados R$ 363,4 milhões — 110% a mais que em 2012.

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