Por paulo.gomes

Rio - O tenente-coronel da Polícia Militar, Cláudio Luiz Silva Oliveira, está sendo julgado desde a manhã desta quinta-feira, no 3º Tribunal do Júri de Niterói, na Região Metropolitana, pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011. Durante seu depoimento, o comissário José Carlos Guimarães, chefe de investigação da Divisão de Homicídios na época, disse não ter dúvidas de que o oficial foi realmente o mandante do crime.

"Tenho certeza de que foi o coronel (Cláudio Luiz) quem deu a ordem para matar a doutora Patrícia. Sem o consentimento dele, os policiais não a teriam executado", disse Guimarães.

Tenente-coronel Cláudio Luiz chegou visivelmente abatido ao julgamentoSeverino Silva / Agência O Dia

Ainda de acordo com o comissário, nos três meses que antecederam o crime, foram feitas 237 ligações entre Cláudio e o tenente Benitez, que atirou em Patrícia e foi condenado a 36 anos de prisão no final do ano passado. Ainda segundo as investigações, Cláudio falou apenas 30 vezes com outro tenente que comandava outro Grupamento de Ações Táticas (GAT).

Durante seu depoimento, o delegado Felipe Ettore, titular da DH na época, classificou o crime como uma "trama diabólica". Durante o interrogatório do promotor de justiça Paulo Roberto Melo Cunha, o assistente da acusação, o advogado Técio Lins e Silva, apresentou dados de auto de resistência da época em que Cláudio Luiz comandava o 7º BPM (São Gonçalo). Segundo o levantamento, o oficial assumiu o batalhão na metade de 2010, e durante esse ano foram 21 casos. No ano seguinte, até o mês de setembro, mês que o coronel foi preso, foram 18. Em outubro e novembro nada ocorreu e somente um caso foi registrado em dezembro.

A esposa de Cláudio Luiz (centro) está presente ao julgamento desta quinta-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

"Não estou imputando nenhuma culpa ao coronel. Mas isso é um fato estranho porque demonstra um comportamento peculiar", disse o promotor.

Além do coronel, dez policiais militares do Batalhão de São Gonçalo foram denunciados pelo Ministério Público (MP) pelo homicídio. Segundo o MP, os policiais queriam se vingar da juíza porque ela costumava condenar policiais por desvios de conduta.

Seis policiais já foram condenados pelo assassinato: Carlos Adílio Maciel dos Santos, Jefferson de Araújo Miranda, Júnior Cezar de Medeiros, Sergio Costa Júnior e Daniel dos Santos Benitez Lopes. Mais quatro réus serão julgados em 3 de abril.

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