Por cadu.bruno

Rio - As mortes de Fábio Augusto Silva de Souza, o Fabinho Noronha, e dois comparsas — os corpos dos três bandidos foram encontrados dentro de um carro na última terça-feira — podem ser apenas o primeiro indício de uma nova guerra do tráfico que estaria prestes a explodir em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. O confronto põe em lados opostos os dois maiores chefões do Terceiro Comando Puro (TCP): Marcelo dos Santos da Dores, o Menor P, e Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu.

O primeiro já teria dado ordens para que marginais de sua confiança tomem as favelas da Coreia, Taquaral e Sapo, enquanto o segundo dá apoio às quadrilhas que dominam as bocas de fumo nestas comunidades.

Corpos de três traficantes foram deixados dentro de um carro na última terçaCarlos Moraes / Agência O Dia

Informações que chegaram até policiais do 14º BPM (Bangu) dão conta de que Fabinho Noronha foi morto porque estava armando um ‘golpe de estado’ junto com Menor P. “Eles queriam controlar toda a comunidade da Coreia e o acordo de divisão já teria sido feito”, disse um PM.

Bandidos que fugiram da Vila Kennedy junto com Noronha, trocando o Comando Vermelho (CV) pelo TCP, no início do ano, estariam escondidos na Vila dos Pinheiros, na Maré, sob a proteção de Menor P. Traficantes identificados como Rô, Arley e Vasp fazem parte deste grupo.

Segundo informações da polícia, um gerente do tráfico na Coreia, ainda não identificado, teria discutido com Menor P durante uma reunião da facção, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador. Por conta da briga, Guarabu, chefão da comunidade, teria mandado Menor P sair da favela. O ‘zero-um’ da Maré não gostou da forma como foi tratado e está apoiando os traficantes ex-CV, que planejam um ataque à quadrilha de Senador Camará, que conta com o apoio dos marginais do Dendê e da Favela de Acari.

Veneno, tortura e enforcamento

Fabinho Noronha e seus comparsas, identificados como Felipe da Silva Caetano, o Zebrião, e Everton Augusto dos Santos, o Playboy, foram mortos por asfixia, de acordo com a PM. Os corpos encontrados dentro do carro também tinham sinais de tortura. O mesmo gerente da Coreia que brigou com Menor P no Morro do Dendê marcou uma reunião com Playboy e Zebrião e pediu que eles chamassem Noronha.

O encontro, na noite da última segunda-feira, era uma armadilha. Os três traficantes teriam sido envenenados, torturados e enforcados. O corpo de Noronha tinha vários hematomas no rosto, e os cadáveres de Zebrião e Playboy estavam com mãos e pernas quebradas.

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