Por bianca.lobianco

Rio - O secretário de Segurança Pública do Rio José Mariano Beltrame confirmou, nesta sexta-feira, que os ataques simultâneos às UPPS de Manguinhos e Camarista Méier, na noite desta quinta, foram orquestrados de dentro dos presídios por ordem de facções criminosas com o objetivo de desmoralizar a política de segurança pública do Rio. A informação foi dada em entrevista ao "Bom Dia Rio" nesta manhã.

"Nós temos sim, isso confirmado (ataques partindo dos presídios do Rio e de penitenciárias federais) e o que nós viemos fazer aqui é exatamente um plano para que possamos proteger a cidade de mais esta crise", revelou o secretário. 

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Complexo de Manguinhos tem cenário de destruição%2C crianças sem aula e comércio fechado após ataque que destruiu base de UPPFotos%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

Cabral vai a Brasilia pedir a Dilma apoio de tropas contra ataques às UPPs

O governador do Rio, Sérgio Cabral, vai pedir a presidenta Dilma Rousseff o apoio de tropas federais no estado para a reforçar a segurança dos moradores e combater futuros ataques à Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), como os ocorridos em duas comunidades na noite desta quinta-feira. A solicitação será feita nesta sexta-feira, durante o encontro marcado com ela, às 11 horas, em Brasília.

A decisão foi tomada após uma reunião de mais de duas horas com o Gabinete de Crise do comando da Segurança Pública, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio. Um plano de defesa foi elaborado. A PM e a Polícia Civil estão em alerta máximo. Não foram registrados incidentes em áreas de UPPs durante a madrugada.

"Vamos solicitar a presidenta o apoio das forças nacionais. Não sei que tropas, como, por quanto tempo, elas atuarão. Seria uma indelicadeza apresentar isso para vocês antes da presidenta ser a primeira a saber", alegou Cabral aos jornalistas, no início da madrugada, após a reunião com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame; o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, e o comandante-geral da PM, coronel José Luís Castro Menezes. Eles também participarão do encontro em Brasília. 

O pedido de apoio ao governo federal e o reforço no policiamento no Rio foram decididos pela cúpula da Segurança Pública após o comandante da UPP Manguinhos, capitão Gabriel de Toledo, ter sido baleado na perna durante um confronto com traficantes. Ele sofreu uma lesão grave em uma artéria e está internado no Hospital Central da corporação, no Estácio, na Zona Norte. Ele não corre risco de morrer.

O governador Sérgio Cabral esteve reunido com a cúpula da segurança do estadoDivulgação

Um PM da UPP do Mandela também foi ferido com uma pedrada na cabeça, após a polícia intervir na desocupação de um prédio do projeto Minha Casa, Minha Vida na comunidade, no fim da tarde. Houve incidente com os moradores. No início da noite, bandidos se aproveitaram do incidente e atacaram os PMs com granadas e tiros. Eles incendiaram duas viaturas e cinco contêineres, que serviam de base de apoio da UPP.

Na reunião da cúpula da Segurança Pública algumas medidas foram definidas para evitar novos ataques da principal facção criminosa do Rio. As folgas na Polícia Militar foram suspensas. PMs dos batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) e policiais civis estão de prontidão, inclusive os da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da corporação, estão de prontidão. O Bope reforçou o policiamento no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte, comunidade que possui uma UPP. Setores de inteligência detectaram uma ameça de invasão da fação rival à comunidade. As 37 UPPs estão em alerta máximo.

Cabral reafirmou que os ataques às UPPs são um indicativo evidente do crime organizado tentando enfraquecer a política do plano de retomada dos territórios dominados por décadas pelo tráfico de drogas. Ele reiterou que o estado não vai desistir do projeto de pacificação e que nada impedirá que o governo do Rio solicite ajuda das forças federais.

"Não vamos recuar, nem retroceder. E vamos avançar com as forças federais", decretou.

Beltrame quer ampliar discussão sobre segurança

No esteio do pedido de reforço das forças de segurança nacional para combater ataques às UPPs, o secretário José Mariano Beltrame, deve cobrar da presidenta Dilma Rousseff, a ampliação do debate e das medidas em âmbito nacional sobre Segurança Pública. Para ele, ações isoladas em cada estado não resolverão as contantes crises na área. A discussão e ações sobre o sistema prisional, a menoridade penal, a epidemia do crack, as fronteiras nacionais, o uso de armas de fogo por civis e outros tópicos são consideradas fundamentais por ele.

A Favela do Mandela amanheceu nesta sexta-feira com rastro de destruiçãoCarlos Moraes / Agência O Dia

"Se não discutirmos Segurança Pública na ponta, vamos passar a vida inteira resolvendo crises. Não é só no Rio. Precisamos que haja uma diálogo nacional e outras instituições venham discutir isso. Uma série de personagens tem que vir à tona. Pessoas agem sem o menor temor da lei. Se elas não sentirem que há um plano, um combate, o crime vai sempre valer a pena para elas", pregou Beltrame.

Sobre a aparente volta da tranquilidade a cidade, no início da madrugada, após o reforço no policiamento em áreas de UPPs e vários bairros do Rio, Beltrame disse que não há esse sentimento em segurança pública no Rio.

"Pode estar calmo agora e amanhecer tudo tenso", disse.

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