Por paulo.gomes

Rio - O policiamento segue reforçado e o clima tenso na Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, na manhã desta sexta-feira. Parte da comunidade segue sem luz por conta do incêndio que atingiu dois contêineres da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na noite de quinta-feira. Eles já foram retirados por caminhões da Polícia Militar e de acordo com a Secretaria de Segurança, devem ser substituídos ainda nesta sexta. Uma força-tarefa com equipes da Light e Comlurb também estão no local.

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A Secretaria Municipal de Educação informou que quatro escolas, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) estão fechadas na região de Manguinhos, fazendo com que 3.993 alunos estejam sem aulas por conta de violência. Parte do comércio local também estão com as portas fechadas.

Uma ação orquestrada por traficantes de drogas contra três UPPs deixou nesta quinta-feira a Polícia Militar de prontidão em todas as 38 comunidades pacificadas e nos quartéis da Região Metropolitana. O ataque mais violento aconteceu na base da Arará/Mandela. Além dos contêineres incendiados, viaturas também foram apedrejadas e queimadas. Dois policiais acabaram feridos, entre eles, o comandante da UPP de Manguinhos, capitão Gabriel de Toledo.

A Favela do Mandela amanheceu nesta sexta-feira com rastro de destruiçãoCarlos Moraes / Agência O Dia

A PM convocou policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque que estavam de folga, além dos Grupamentos de Ações Táticas (GAT) do 3º BPM (Méier) e do 22º BPM (Maré). De acordo com os militares, a ação do bandidos começou depois que PMs retiraram invasores de um prédio do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Manguinhos.

O tumulto começou por volta das 19h. Policiais usaram armamento não-letal para tentar conter a multidão, que fechou com barricadas de fogo a Avenida Leopoldo Bulhões, a principal da região. Um trecho da Avenida Dom Helder Câmara, na altura da favela do Jacarezinho, também foi interditado. Na sequência, granadas foram arremessadas na direção dos policiais. Um soldado foi ferido na cabeça por uma pedrada. Os militares pediram reforço. Houve intensa troca de tiros.

O policiamento está reforçado na comunidade%2C palco de ataque à base da UPP nesta quinta-feiraCarlos Moraes / Agência O Dia

Cabral pedirá a Dilma apoio contra ataques

O governador do Rio, Sérgio Cabral, vai pedir a presidenta Dilma Rousseff o apoio de tropas federais no estado para a reforçar a segurança dos moradores e combater futuros ataques à UPPs. A solicitação será feita nesta sexta-feira, durante o encontro com ela, em Brasília.

A decisão foi tomada após uma reunião de mais de duas horas com o Gabinete de Crise do comando da Segurança Pública, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio. Um plano de defesa foi elaborado. A PM e a Polícia Civil estão em alerta máximo. Não foram registrados incidentes em áreas de UPPs durante a madrugada.

"Vamos solicitar a presidenta o apoio das forças nacionais. Não sei que tropas, como, por quanto tempo, elas atuarão. Seria uma indelicadeza apresentar isso para vocês antes da presidenta ser a primeira a saber", alegou Cabral aos jornalistas, no início da madrugada, após a reunião com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame; o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, e o comandante-geral da PM, coronel José Luís Castro Menezes. Eles também participarão do encontro em Brasília. Beltrame confirmou que as ações criminosas foram orquestradas por uma facção criminosa, com o objetivo de desmoralizar a política de segurança pública do Rio.

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