PM encontra galão com gasolina em Manguinhos

Material inflamável estava em recipiente de 20 litros. Líquido pode ser o mesmo usado por bandidos na queima de contêineres

Por O Dia

Rio - Policiais apreenderam, na manhã deste sábado, um galão de 20 litros com um líquido inflamável no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. O líquido, uma mistura de diesel e gasolina, estava dentro de uma cisterna na localidade conhecida como “Mandela 3” ou “Predinhos”. A PM apura se o material teria sido utilizado para incendiar contêineres da UPP na comunidade do Mandela na última quinta-feira.

Durante o ataque a UPP, dois PMs ficaram feridos, entre eles o comandante da UPP local, capitão Gabriel Toledo. Na mesma noite, homens armados atiraram contra contêineres da UPP Camarista Méier, no Lins, na Zona Norte.

Bope ocupa Complexo da Maré

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ocupou o Complexo da Maré por volta das 5h deste sábado para apreender armas e drogas nas comunidades Nova Holanda e Parque União. Pelo menos 120 homens atuam nas favelas. Os militares já encontraram seis tabletes de maconha, 2 quilos de cocaína e um fuzil no Parque União.

Polícia faz operação no Morro do ChapadãoDouglas Viana / Agência O DIA

Policiais ocupam, desde a noite desta sexta-feira, duas outras comunidades da Zona Norte. Elas são controladas por traficantes da mesma facção criminosa apontada pela cúpula da Segurança Pública do Rio como a responsável pelos recentes ataques a UPPs. A determinação da ocupação é do comando da PM.

PMs do 41º BPM (Irajá) estão atuando no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. A ação conta com o apoio do 9º BPM (Rocha Miranda) e 14º BPM (Bangu). Em Costa Barros, PMs do Batalhão de Choque patrulham o Morro do Chapadão. Nesta comunidade, traficantes teriam se reunido uma semana antes do Carnaval para traçar um plano de ataque à UPPs, durante aquele feriado. O encontro foi detectado pelos setores de Inteligência da polícia.

Retorno de Exército às comunidades pacificadas divide especialistas

O retorno do Exército às comunidades provoca opiniões distintas, entre especialistas em Segurança Pública. Se por um lado o momento de crise e afronta de criminosos merece uma ação mais ampla, o reforço também pode transparecer a fraqueza de alguns processos de ocupação.

Complexo de Manguinhos foi alvo de bandidos na última quinta à noiteFotos%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

“É um retrocesso. Sai da linha do planejamento e retorna ao campo da resposta imediata. Eles não podem passar a sensação de insegurança, então dão um passo atrás”, afirmou Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Outro especialista em Segurança Pública, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Paulo Storani acha a atitude correta. “A melhor opção é a solicitação das Forças Armadas até que consigam debelar essa situação articulada, atípica. E existe a prevenção legal para solicitação em casos de desordem pública”, disse Storani.

O Exército ajudou o governo do Rio no processo de pacificação no Alemão e na Penha, entre dezembro de 2010 e julho de 2012. Nesse período, a Força prendeu 263 pessoas e deteve outras 470. Também apreendeu 70 quilos de cocaína e outros 60 de maconha. Em 2008, quando ocupou o Morro da Providência, o Exército teve a missão de proteger o canteiro de obras do projeto Cimento Social. Na ocasião, eles também prenderam suspeitos e apreederam drogas, segundo registros na 4ª DP (Central).

Dilma coloca Exército nas ruas para combater ataques a UPPs

O Rio receberá reforço do Exército para combater o tráfico em comunidades pacificadas. O pedido, feito pelo governo do Rio à União, foi aceito ontem pela presidenta Dilma Rousseff em reunião, no Palácio do Planalto, com o governador Sérgio Cabral e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A presença de generais num encontro no Palácio Guanabara, segunda-feira, quando as ações serão definidas, evidencia a intervenção das Forças Armadas.

“Este é um momento em que as UPPs estão sendo checadas, provocadas, há uma tentativa clara de desmoralizar uma política de pacificação. Essa marginalidade enxerga, agora, uma possibilidade de fragilizar esse projeto. Solicitamos à presidenta o apoio no combate ao crime organizado, que se faz necessário. Estão gerando pânico e fazendo vítimas entre policiais militares e civis”, disse Sérgio Cabral.

O anúncio foi feito menos de 24 horas após novos episódios de violência em áreas de UPPs. Na noite de quinta-feira, o comandante da unidade de Manguinhos, capitão Gabriel Toledo, foi baleado na perna em confronto com traficantes, e um outro policial ficou ferido após levar pedrada na cabeça. No Mandela/Arará, duas viaturas e cinco contêineres, que serviam de base de apoio, foram incendiados.

Pouco depois, bandidos atiraram na direção de uma base de apoio da UPP Camarista Méier, no Lins, e um ônibus foi incendiado na região. Na UPP Nova Brasília, no Alemão, houve troca tiros na localidade conhecida como Chuveirinho. Nos últimos quatro meses, cinco policiais de UPPs, nos Complexos da Penha e Alemão, foram mortos em serviço.

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