Por paulo.gomes

Rio - Mestre em Antropologia e ex-integrante do Bope, o especialista em Segurança Pública Paulo Storani acredita que o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora precisa ser reavaliado. Segundo ele, a pouca participação da Polícia Civil e a presença quase solitária da PM nas favelas enfraqueceram o programa.

Há algo de errado com o projeto das UPPs?

Sem dúvida. A fase de aproximação com os moradores das favelas não aconteceu como deveria, por conta da falta de investimentos sociais. Além disso, a participação da Polícia Civil foi muito tímida. Deveria haver equipes de investigadores nas comunidades ocupadas para identificar as pessoas associadas ao tráfico, não apenas delegacias. Como isso não aconteceu, os bandidos se adaptaram e aprenderam a operar mesmo com a presença da PM. Neste momento, acredito que o projeto das UPPs deveria ser reavaliado.

E qual é a situação dos policiais militares nesse cenário?

Bastante complicada, porque estão praticamente sozinhos. A PM está longe de ter o efetivo necessário para todas as ocupações que estão sendo feitas. Diante disso, o policial, que tem uma formação feita às pressas, acaba sobrecarregado. Esse tipo de situação não costuma produzir bons resultados.

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