Por camila.borges

Rio - Repercutiu mal entre políticos fluminenses a declaração do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de que a água disputada entre seu estado e o Rio de janeiro, no Vale do Paraíba, “é dos paulistas”. A frase, dita em meio à crise de abastecimento do estado, foi taxada de “eleitoreira” e o tucano foi acusado de incitar uma guerra entre os estados.

A crise começou na semana passada, quando Alckmin disse que usaria a água do rio Paraíba do Sul para abastecer a Grande São Paulo. Na última quinta-feira, Cabral declarou que nada que prejudicasse o abastecimento do Rio seria autorizado. Em resposta, Alckmin disse ontem que “o rio Jaguari pertence ao Vale do Paraíba, aos paulistas, assim como a Baía de Guanabara é dos cariocas”.

Para a deputada estadual Inês Pandeló (PT), Alckmin “está tentando criar uma guerra entre os estados”. “A ideia de transpor as águas do Paraíba vem de outros governos paulistas. As pessoas tem direito à água, mas São Paulo pode escolher entre outras alternativas”, indicou ela, que é presidenta da Frente Parlamentar de Defesa da Bacia do Paraíba na Alerj. “O nível da água está baixando, e essa obra também pode afetar a qualidade do abastecimento”, explicou, lembrando que boa parte do abastecimento fluminense vem dali.

A transposição do Rio Paraíba do Sul está no centro de uma disputa%2C agora política%2C entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro Helen Souza / Folha da Manhã

Em tom indignado, o deputado federal Miro Teixeira (Pros), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, condenou a discussão que Cabral e Alckmin estão travando via imprensa: “Isso é papo furado para desviar o foco. São frases de efeito e de mau gosto. Nós estamos falando de uma tragédia, que é a falta d’água”.

Para o ambientalista Mario Moscatelli, o governador paulista “precisa de aulas de geografia”. As previsões sobre falta d’água “estão aí há anos e ninguém fez nada”, denuncia. Ele diz que, se nada for feito, o Rio poderá sofrer com desabastecimento.

Do mesmo partido de Alckmin, o deputado federal Otavio Leite disse que a discussão do assunto precisa ser técnica. “Mais estudos são necessários. Alckmin é um homem público respeitável, jamais faria algo que afetasse o Rio”, garantiu.

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