Por camila.borges

Rio - No Complexo da Maré, um espaço cercado por bandidos rivais ‘respira’ em meio à guerra que não dá trégua. Localizada entre a Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro, comunidades dominadas por facções distintas, a Vila Olímpica da Maré aparece como o único lugar ‘neutro’ da região, que, há cerca de 15 anos, oferece atividades esportivas e culturais.

“Estamos no olho do dragão, mas, para nós, não existe facção; e, sim, pessoas. Atendemos tanto crianças de um lado como de outro, e nossa missão é resgatar vidas”, conta o diretor da Vila, Amaro Domingues, de 81 anos, e um dos fundadores da primeira área de lazer do complexo.

Aline Costa disse que a Vila Olímpica foi fundamental na vida delaCarlos Moraes / Agência O Dia

Ao longo dos anos, inúmeros relatos de recomeço e superação foram escritos naquele espaço. “Ali começa o trabalho de preparação para a vida. Muitos deram uma guinada e, hoje, são pessoas de bem e ainda estão conosco”, frisou ele.

Aline Costa da Cunha, de 29, por exemplo, preferiu não dar chances ao lado ‘escuro’ das comunidades. Desde o início das obras da Vila, acompanhou de perto o suor do pai, que trabalhou no projeto, e, após muita diversão, virou funcionária.

“Convivo com pessoas próximas, vizinhos, que tiveram este tipo de vida (crime), mas se recuperaram. A Vila foi fundamental para o que sou hoje. Espero que tenhamos mais oportunidades de saúde e educação com esta mudança”, disse Aline.

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