PM gasta R$ 4 milhões para a formação de 15 pilotos

Corporação ignora policiais de helicópteros formados interessados nas vagas e banca curso

Por O Dia

Rio - A formação de pilotos de helicópteros do Grupamento Aeromóvel da Polícia Militar, conhecido como GAM, está causando um gasto milionário aos cofres públicos. Levantamento feito pelo DIA revela o investimento de aproximadamente R$ 4 milhões para a formação de uma turma de 15 alunos, com pagamentos de diárias, adicionais e compra de um helicóptero para instrução.

Enquanto o governo banca a formação dos 15 através da Escola de Aviação da Polícia Militar (EsAv), pelo menos dez policiais com formação para pilotar helicópteros reconhecida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tentaram, sem sucesso, entrar no grupamento.

Uma portaria de 2007 da Polícia Militar proibiu que praças pudessem integrar o quadro de pilotos, que passaram a ser destinados apenas a oficiais. Mas a corporação abriu uma exceção para dois policiais que não são oficiais porque eles faziam parte do efetivo do GAM desde a sua criação, em 2002: o sargento Luiz Afonso Paes Gonçalves Xavier; e o cabo Jorge André de Queiroz.

Cabo Queiroz ganhou adicional quando estava em outro batalhãoCarlo Wrede / Agência O Dia

O cabo se envolveu, inclusive, em um episódio polêmico, que ilustrou uma realidade de gastos abusivos da unidade. Depois da prisão do colombiano Gustavo Duran Bautista, apontado como braço direito do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadia, capturado enquanto tentava decolar do Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, a Polícia Militar herdou um ‘elefante branco’: a aeronave P-31 Navajo prefixo PT-KNY.

O avião foi devolvido depois de quatro anos de pouco uso, causando apenas gastos com manutenção, hangaragem, limpeza e pagamento de adicionais a pilotos.

O cabo Queiroz deixou o grupamento em outubro de 2011, transferido para o 14º BPM (Bangu). Mesmo afastado por 22 meses, não deixou de receber o adicional de R$ 7,5 mil, pago a pilotos de linha aérea, com mais de mil horas de voo.

Em agosto do ano passado, Queiroz voltou ao GAM. E hoje integra uma lista de seis policiais militares, que consta no boletim interno da PM 037 publicado no dia 24 de fevereiro. Eles fazem o curso prático de piloto privado e de piloto comercial de helicóptero.

Grupamento compra helicóptero mais caro

Os gastos do GAM não se limitam aos pagamentos de cursos. Em 2010, a corporação fez licitação para comprar, por R$ 1,2 milhões, um helicóptero Schweizer usado apenas para treinar pilotos.

O preço é mais que o dobro do cobrado por um helicóptero Robinson R22, avaliado em cerca de R$ 500 mil e que tem utilidade similar à do outro.

O Schweizer foi entregue à base do GAM, em Niterói, em dezembro de 2011. E ficou mais de dois anos sem ser usado, gerando gastos de aproximadamente R$ 300 mil com manutenção, que incluíram duas viagens a São Paulo, para inspeção. O Schweizer só saiu do solo no mês passado, nas aulas práticas de pilotos.

O Schweizer foi comprado por R%24 1%2C2 milhões%2C mais que o dobro do preço de helicóptero com uso similarGuto Maia / Agência O Dia

No ano passado, os oficiais da primeira turma de alunos para pilotar helicóptero fizeram um curso de nove meses em Ipeúna, no interior de São Paulo, gerando gastos de cerca de R$ 400 mil só em diárias, que também poderiam ser evitados, já que existem seis escolas de aviação no Rio de Janeiro. Até o fechamento da edição, a PM não se manifestara sobre o assunto.

O grupamento tem como função transportar autoridades, policiais feridos e fazer monitoramento aéreo com um efetivo de cerca de cem homens. Ao contrário da PM, a Polícia Civil não gasta com a formação de pilotos. Para entrar no Serviço Aeropolicial (SAer), pilotos já formados fazem um concurso público, a exemplo do que ocorreu em 2012.

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