Tecnologia vai proteger policiais e moradores

Homens do Bope usarão óculos com câmera acoplada na ocupação na Maré. Ideia é garantir a veracidade de denúncias e inibir abordagens truculentas

Por O Dia

Rio - A tecnologia de ponta será uma das aliadas da polícia na ocupação do Complexo da Maré hoje. Parte dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) vai utilizar óculos com câmeras de visão noturna acopladas que vão permitir gravar toda a ação. Segundo a PM, o equipamento vai servir tanto para preservar o policial quanto o cidadão, além de evitar abordagens truculentas.

Os óculos já foram testados nas manifestações, mas em operação policial será a primeira vez. “Com essas imagens gravadas, vamos poder rever algumas ações, se for necessário. Muitas vezes as histórias são deturpadas e a gente vai buscar essas imagens para preservar o policial e o cidadão. Elas serão importantes também para as investigações ”, explicou o responsável pela Coordenadoria Especializada de Tecnologia da Informação e Comunicação da PM, coronel Djalma Beltrami.

Policiais do Bope fazem há mais de uma semana operações na Maré. A 21ª DP (Bonsucesso) investiga a participação de dois policiais da tropa de elite da PM na morte de Alexandre Rodrigues Beserra, de 18 anos. A ação aconteceu no Parque Rubens Vaz. Segundo os moradores, ele foi torturado e morto a tiros por PMs do Bope. Os policiais afirmam que a vítima era traficante e reagiu durante confronto.

Óculos já foram testados durante manifestações no Centro do Rio%2C mas em operação policial será a primeira vez. Imagens serão importantes para investigaçõeFernando Frazão/ Agência Brasil

Os dois envolvidos na ação já foram ouvidos e tiveram as armas apreendidas para exame de confronto balístico. A perícia encontrou no local dois estojos de munição ponto 40. Durante a ação, foram apreendidos pelos policiais militares uma pistola ponto 40 e nove projéteis intactos.

A Secretaria de Segurança já pediu a transferência para um presídio federal do traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P, chefe do tráfico de 11 das 15 comunidades da Maré. Ele foi preso quarta-feira pela Polícia Federal num apartamento de luxo em Jacarepaguá.

De acordo com a revista ‘Veja’, o guarda municipal William Oliveira, desaparecido desde outubro passado, é mais uma vítima de Menor P. Suposto informante da polícia, William teria sido executado com mais de 300 tiros na frente dos parentes a mando do traficante.

Ontem, véspera da ocupação, o clima era de tranquilidade e expectativa no Complexo da Maré para a entrada das forças de segurança. O comércio funcionou normalmente. Policiais passaram o dia posicionados nos acessos às comunidades pela Av. Brasil. Apesar de apoiarem a ocupação, moradores ainda têm medo de falar sobre o assunto.

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