'Copa fica por um mês, mas Maré vai continuar', diz Beltrame

Secretário explicou que proposta para o Complexo é um movimento para a população e não para um evento

Por O Dia

Rio - O secretário de Segurança do Estado do Rio participou de uma coletiva com a imprensa na manhã deste domingo para falar sobre a ocupação no Complexo da Maré. "A nossa proposta é delegável e não exclusiva para a Copa do Mundo. A Copa fica por um mês, mas a Maré vai continuar", disse Beltrame."Não é um movimento para um evento que vai embora e sim para a população", completou.

>>>GALERIA: Complexo da Maré é ocupado em apenas 15 minutos

O chefe da Polícia Civil Fernando Veloso também participou da coletiva. "Talvez a polícia não consiga fazer tudo que estava planejado para hoje e tenhamos que ficar mais dois dias", disse Veloso.

Durante entrevista coletiva neste domingo%2C José Mariano Beltrame (centro) reconheceu que a segurança pública precisa ser melhoradaPaulo Araújo / Agência O Dia

Segundo o secretário, a ocupação da Maré não teve uma estratégia muito diferente de outras operações já feitas. Beltrame frisou que a operação não deve ser confundida com varredura. "Não entraremos na casa de todas as pessoas, mas apenas em alguns lugares que poderiam ter algum objeto ou equipamento do crime", disse. A declaração do secretário foi endossada por Veloso, que frisou que a polícia não vai revistar todas as residências.

"O que estamos fazendo aqui é uma ação que vai abrir caminho para outras e para discutir outras coisas fora da seara da polícia", declarou Beltrame.

O secretário falou que ainda não é possível passar todas as informações pois a operação no Complexo da Maré ainda está em andamento. O secretário ressaltou que o local é maior que o Complexo da Penha e do Alemão juntos e que 1.500 homens participam da operação."Estamos indo bem e vamos entregar o terreno de volta a população", disse Beltrame. "Tivemos neste domingo a fase de incursão e vamos iniciar a fase de estabilização", completou.

Complexo da Maré foi ocupado pelas Forças de Segurança em apenas 15 minutosErnesto Carriço / Agência O Dia

Segundo Beltrame, já foram feitas 94 prisões até o momento desde a primeira fase da ocupação, mas os números estão em constante mudança. No momento da coletiva, o chefe da Polícia Civil anunciou que recebeu a informação de que mais um homem havia sido preso.

"É com base na racionalidade e na intelectualidade que vamos manter essa ação", disse o secretário. "Precisamos de uma série de outras coisas para melhorar a segurança publica e isso não recai somente sobre os ombros da polícia. A questão só vai melhorar quando tivermos uma política que melhore uma série de outras coisas", completou.

Serviços para a população

O secretario do estado de Assistência Social Pedro Fernandes, disse que se reuniu com as lideranças comunitárias da Maré nesta sexta-feira. "Necessidades básicas são prioridade", disse Fernandes."Partiremos das questões básicas, como documentos, atividades extracurriculares, esporte, iluminação pública", completou.

Fernandes disse que a secretaria irá trabalhar em parceria com os moradores. "Será criado comitê junto com as lideranças das comunidades para suprir a demanda e dar resposta a população o mais rápido possível", declarou.

'Segurança veio para ficar'

O Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, gravou um vídeo deixando uma mensagem para os moradores do Complexo da Maré, na manhã deste domingo. Beltrame reforça que o Estado é o protagonista da operação e que nos próximos dias as Forças Armadas ocuparão o local até a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). "Essa é uma mensagem de segurança permanente, segurança que veio para ficar", disse secretário em vídeo.

Forças de Segurança ocupam o Complexo da Maré

O Complexo da Maré já está sob o controle do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar na manhã deste domingo. As forças policiais não encontraram resistência para ocupar as comunidades e a operação em pontos planejados durou 15 minutos, de acordo com a Secretaria de Segurança do Governo do Rio. A partir de agora são realizadas operações de buscas de criminosos e apreensões de armas, drogas e objetos roubados. A Polícia Civil também tem um mandado de busca e apreensão e se necessário irá entrar em residências.

A ocupação do Complexo da Maré conta com 1.180 policiais militares das seguintes unidades: Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Batalhão de Vias Especiais (BPVE), Grupamento Aeromóvel (GAM), 22º BPM (Maré), além de policiais da Corregedoria Interna da Polícia Militar.

A operação foi apoiada pela Marinha. Tropas do Bope e do Batalhão de Polícia de Choque foram transportadas por 250 fuzileiros navais. Os policiais militares usarão 14 blindados disponibilizados pela Marinha e um blindado do Batalhão de Polícia de Choque.

Agentes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal e do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal apoiam a operação. Além disso, três aeronaves do Grupamento Aeromóvel (GAM) e uma da Polícia Civil dão apoio à ocupação.

'É um dia histórico', afirma governador Sérgio Cabral

O governador Sérgio Cabral falou na manhã deste domingo sobre a retomada do controle da região do Complexo da Maré pelo Estado. Ele classificou como "histórica" a operação realizada pelas Forças de Segurança. “Foi essa a dimensão que eu dei no agradecimento à presidenta Dilma e também ao prefeito Eduardo Paes", disse o governador, numa rápida coletiva com a imprensa, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). "Antes a entrada da polícia era sinônimo de guerra. Agora será de paz", afirmou.

Governador Sérgio Cabral fala sobre a pacificação do Complexo da Maré%2C na Zona Norte da cidadePaulo Araújo / Agência O Dia

Ele também comentou a parceria entre o governo estadual e federal para a ocupação. "Acabei de agradecer a colaboração da presidenta Dilma. Como nesses últimos três meses fomos intimidados pelo poder paralelo, tentando enfraquecer nossa política de UPPs, demonstramos a capacidade do estado em agir", disse Cabral.

"Solicitamos com a presidenta Dilma uma agenda de emergência na madrugada de sexta-feira (após ataques a várias bases das UPPs, no dia 20). A partir daí, as forças de seguranças montaram um plano com muita eficiência", completou.

O governador também falou sobre a participação da prefeitura do Rio na operação. "Conversei com o prefeito Eduardo Paes e a prefeitura já mantém uma série de serviços por lá e ele me garantiu que outros serviços entrarão na comunidade".

Confira imagem em 360 graus da operação

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