Cariocas viajam na contramão da Copa

Ajudada pela alta dos aluguéis, cresce a procura por viagens ao exterior durante o Mundial

Por O Dia

Rio - São altas as expectativas cariocas para a Copa do Mundo. Por bons ou maus motivos, apaixonados por futebol ou não, eles aguardam pela competição, que promete trazer tantas alegrias quanto transtornos a quem estiver na cidade, palco da grande final. Entretanto, no contrafluxo da chegada de 1,5 milhão de turistas que devem aportar no Brasil, há muitos que querem aproveitar o período de recesso e descontos nos preços das passagens para viajar e se qualificar em outros países.

A procura por intercâmbios e cursos intensivos de especialização no exterior aumentou para os meses de junho e julho. A advogada Marcela Marinho, de 23 anos, é uma das que uniu o útil ao agradável. Recém-formada e com tempo disponível, ela viabilizou os estudos de inglês através de outro ‘efeito colateral’ da Copa: a inflação nos aluguéis de imóveis.

Marcela aproveita a alta dos aluguéis para estudar em Londres%3A ‘Quando soube quanto pagariam pelo meu apartamento%2C não pensei duas vezes’João Laet / Agência O Dia

“Quando soube o quanto pagariam por uma quinzena no meu apartamento, não pensei duas vezes: aluguei por um mês e com o dinheiro paguei o meu curso de inglês em Londres”, diz a moradora de Jacarepaguá, que não revela a quantia paga por um casal de gaúchos no apartamento de dois quartos.

“Foi mais do que pagariam em qualquer outra época”, disse, enquanto folheava uma das apostilas do curso. Ela confessa sentir um aperto no peito ao se imaginar longe do Brasil durante a Copa do Mundo. “Nessa época os amigos sempre se reúnem e festejam, mas vai valer a pena”.

No mesmo embalo, aproveitando a ‘média estação’ no continente europeu (com preços mais atraentes), a estudante de Ciências Sociais Isadora Libório, 20 anos, realizará o sonho de estudar na França. “É de onde vem a maior parte da bibliografia do meu curso. Preciso me especializar no idioma”, argumenta ela, antes de confessar outro motivo de ter escolhido a época. “Não gosto de futebol e não quero estar no Brasil, em meio aos transtornos de mobilidade. Uni o útil ao agradabilíssimo”, diz ela, feliz da vida e fazendo planos para conhecer várias cidades francesas.

A felicidade delas também é sentida por empresários do setor. A agência de intercâmbios Experimento registra aumento de 30% na procura por pacotes durante o período da Copa do Mundo na comparação com os meses de junho e julho dos anos anteriores.

Alta procura torna planejamento mais necessário

A alta procura faz com que seja necessário antecipar ao máximo a compra dos pacotes, já que apesar dos bons preços das viagens internacionais, houve aumento nas tarifas domésticas. A ponte aérea Rio - São Paulo, por exemplo, está esgotada em várias companhias para os dias de jogos, quando torcedores vão se locomover.

De acordo com a agência Experimento, os destinos mais procurados são Chile, Malta (sul da Itália), Austrália, França, Canadá e Estados Unidos. Especialmente para aprender Inglês, Espanhol e Francês.

A decisão de viajar requer planejamento e pesquisa. Além da busca por preços e estudo da hospedagem ideal, Marcela Marinho, que vai para Londres, conta ter se surpreendido com os preços de roupas para o frio. “É artigo de luxo. Temos que nos preparar e evitar sustos”, avisa.

Da Irlanda, onde chegou há um mês, o arquiteto Rafael Soares não se arrepende da escolha de ter deixado o Brasil para estudar na Europa. “Temi pela perda de oportunidade no mercado de trabalho no Brasil, que está aquecido. Mas preferi me afastar e estudar em um ambiente de paz”, disse.

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