Começam reproduções simuladas de 10 mortes ocorridas em junho na Maré

Cerca de 40 homens do Bope que estiveram no dia da operação no complexo estão participando da ação como testemunhas

Por O Dia

Rio - Começaram por volta das 15h desta terça-feira as reproduções simuladas de três das 10 mortes ocorridas no Complexo da Maré no dia 24 de junho do ano passado durante operação do Batalhão de Operaçoes Policiais Especiais (Bope) no complexo. O aparato de segurança tem cerca de quase 200 agentes entre policiais civis, militares com o apoio de homens do exército.

As mortes investigadas são do menor Jonatha Farias da Silva, de 16 anos, encontrado morto na comunidade Baixa do Sapateiro; do sargento do Bope Ednelson Jerônimo dos Santos Silva, morto durante confronto entre PMs e traficantes e do garçom Eraldo da Silva, de 35 anos.

Por volta das 16h20 a reprodução simulada do menor, que durou uma hora, foi concluída. De acordo com a delegada Ellen Souto, a ação foi bem elucidativa. "No dia do confronto, três PMs participaram da ação onde morreu o Jonatha. Já temos uma convicção do que aconteceu, três policiais militares se posicionaram exatamente onde eles estavam no dia da operação e não entraram em contradição em relação ao depoimento já prestado na delegacia. Moradores e testemunhas também foram ouvidos e não há contradição no fato", esclareceu ela.

Jonatha morreu na localidadade que é divisa entre as favelas Baixa do Sapateiro e Nova Holanda. A primeira é dominada pela facção criminosa Terceiro Comando Puro, já a segunda é dominada pelo Comando Vermelho. No dia, os policiais que participavam da operação encontraram uma barricada com uma seteira, onde os traficantes se posicionavam com os fuzis.

Segundo a delegada, a ação ocorreu da seguinte forma: eram sete policiais que entraram no local, na rua 17 de fevereiro com a Rua Felipe Santos, eles se dividiram durante a operação e três PMs ficaram no local onde houve o confronto que culminou na morte de Jonatha. Na época, os PMs alegaram que o adolescente estava portando armas e drogas. Ele não possuía antecedentes criminais. 

Cerca de 40 homens do Bope que estiveram no dia da operação estão participando da reprodução simulada, o comandante da época, coronel René Alonso, também está fazendo parte da ação. Segundo o delegado da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, os policiais militares estão participando na condição de testemunha.

"Não estamos aqui imputando culpa a ninguém. Queremos apenas esclarecer se houve excessos ou não. E esclarecer algumas dúvidas. Confirmar se os depoimentos dos policiais conferem com o que aconteceu naquele dia. Em alguns casos a perícia já foi feita", afirmou Barbosa.

O objetivo das três reproduções simuladas é reconstituir três cenas de homicídio e complementar as perícias de outras seis mortes, não necessariamente na ordem cronológica do episódio. Já as perícias complementares vão verificar as circunstâncias da morte do sargento do Bope e de outros nove homens. 

A reprodução simulada é um instrumento da investigação que consiste em reunir no local do fato policiais que participaram da ação. Na presença da autoridade policial e de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), a versão apresentada pelos policiais em depoimento terá a sua procedência verificada.


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