Reunião para desocupação de favela no Sampaio termina em impasse

Quase oito mil pessoas moram na Favela da Telerj

Por O Dia

Rio - Ainda não há data para desocupação da Favela da Telerj, no Sampaio. Nada ficou decidido após a audiência realizada nesta tarde no Fórum do Méier, que contou com o comandante do 3º BPM (Méier), representantes do Estado, do município, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, OAB e moradores da ocupação, além da Oi, empresa dona do terreno. Membros da PM saíram do local sem dar declarações para imprensa.

Na sexta, a Oi conseguiu na Justiça uma liminar que garante a reintegração de posse da área, de 50 mil metros quadrados, ocupada por cerca de oito mil pessoas há nove dias. A Secretaria Municipal de Habitação disse que não irá se manifestar sobre a reunião, que não teve caráter conclusivo.

Presidente da 55ª subseção da OAB/RJ, Humberto Cairo esteve no encontro e disse temer uma ação violenta da PM no local. Informou ainda que o comando do 3ºBPM disse não ter “tempo hábil para desocupar a área”. “Me parece que não há interesse em fazer a desocupação amigavelmente. As pessoas devem sair de lá com a presença do Batalhão de Choque”, disse Cairo, ciente da possibilidade de conflito. “O representante da PM disse que se a polícia jogar lá, e jogarem um vaso sanitário sobre ele, haverá uma reação”, indicou.

Uma das representantes dos moradores no encontro era Perla Soares, que saiu do Morro do Arará, na Zona Norte, onde pagava R$ 600 de aluguel, para ir para Favela da Telerj junto com os quatro filhos. Segundo ela, as famílias que vivem no local, que dividem 16 banheiros e retiram água de quatro cisternas. Alguns pontos já tem energia elétrica, puxada pelos próprios ocupantes, que vem de comunidades como Manguinhos,Rato Molhado, Mandela e Complexo do Alemão. “A gente só quer um lugar para morar. Tem gente que morava na linha do trem lá. Está cheio de crianças e idosos", declarou Perla

Segundo o representante da OAB, a entidade sugeriu que Estado e município pagasse o aluguel social para os moradores da nova favela. “Eles tiraram o corpo fora, dizendo que não há possibilidade de cadastrar todas as pessoas. Jogaram a responsabilidade para Oi, que é a dona do espaço”, frisou Cairo. De acordo com ele, outra reunião será realizada entre OAB e PM. Segundo moradores, uma assembleia está sendo realizada na Favela da Telerj.

Reportagem de Leandro Resende

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