Rezadeira Tia Dorinha celebra 100 anos no Jacarezinho

'Muitos não acreditavam que eu alcançaria esta data, mas aqui estou, cheia de fé e saúde' afirma a aniversariante

Por O Dia

Rio - Uma das figuras mais queridas do Jacarezinho está completando hoje 100 anos de idade. Trata-se de Maria das Dores Lima, a Tia Dorinha, a última rezadeira da região. Líder da Tenda Espírita São Sebastião, no alto do Morro Azul, ela acompanhou, sempre emanando bênçãos e bons fluídos, as principais transformações de uma das favelas mais violentas do Rio, hoje em processo de pacificação.

Maria das Dores%3A ‘Graças à minha força%2C aqui estou%2C cheia de fé e saúde’Léo Lima / Cafuné na Laje

“Muitos não acreditavam que eu alcançaria esta data, mas aqui estou, cheia de fé e saúde” afirma Dorinha, que vai virar personagem de um documentário. O curta-metragem começa a ser filmado hoje pelo coletivo Cafuné na Laje, uma organização voltada para arte, entretenimento e educação.

“É um orgulho muito grande para nós, parentes e moradores, podermos contar com uma grande exemplo de força espiritual como minha tia. Ela não se casou e nem teve filhos. Vive para fazer o bem, sem nada em troca”, afirma Edson Lima, 47, lembrando que a mineira Dorinha chegou ao Jacarezinho com cerca de 20 anos, vinda de Além Paraíba.

Lúcida e bem disposta, Tia Dorinha continua surpreendendo. Este ano, a exemplo do que faz há dez décadas, além de conduzir a procissão de São Sebastião no Jacarezinho, dia 20 de janeiro, ainda desfilou pela Unidos do Jacarezinho, pela Série B, na Rua Intendente Magalhães. “E não fez feio. Ela é nosso guia de espírito e de garra”, diz o presidente da Associação de Moradores do Jacarezinho, Rumba Gabriel.

No terreiro onde mora e recebe gente de todas as religiões, a umbandista Dorinha, neta de escrava curandeira, que a introduziu nos mundo dos orixás aos sete dias de nascida, diz respeitar todos os credos. “Porque adoro ser respeitada”, ensina ela, que, de vez em quando, “dá uma escapadinha” até a Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca. Vive dizendo a quem a procura: “Quando o caso é de médico, mando ir ao doutor”, ressalta Dorinha, que nunca cobrou de quem procura ajuda, não rejeitando, porém, uma flor ou vela ofertadas.
Para comemorar a data, haverá uma celebração ecumênica em frente ao terreiro, a partir de 18h, seguida de missa na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora e rodas de capoeira e samba.

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