Por thiago.antunes

Rio - Os sucessivos ataques de traficantes às tropas de pacificação do Exército no Complexo da Maré, têm ocorrido com o aval dos chefões do crime que lideram as quadrilhas locais. Insatisfeitos com a retomada do território pelas forças de segurança, e consequente perda de espaço e do dinheiro da venda de drogas, os manda-chuvas do tráfico deram carta branca aos integrantes do segundo escalão do crime para afrontar os militares.

Ontem, por volta das 4h30, rajadas de tiros foram feitas na comunidade Salsa e Merengue, mas ninguém ficou ferido. O episódio ocorreu apenas 24 horas após cinco ataques nas comunidades Baixa do Sapateiro e Vila dos Pinheiros, em que um mototaxista foi baleado. De acordo com policiais, criminosos que atuavam como vapores e contenção das quadrilhas, permanecem no local, ainda fortemente armados. Domingo, a Força de Pacificação confirmou que os disparos feitos nas comunidades foram de fuzil calibre 7.62.

Blindado na Maré: disparos foram para intimidar Forças de Pacificação, disse o major Alberto HoritaCarlos Moraes / Agência O Dia

No entanto, as armas não são mais ostentadas, assim como a venda de drogas têm sido camuflada em bolsas e mochilas. Sem as bocas de fumo, os remanescentes das quadrilhas agora fazem o chamado tráfico ‘forminguinha’ ou itinerante.

Para continuar atuando nas comunidades e promovendo as retaliações à presença dos militares, os criminosos têm o aval dos traficantes Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, e Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, ambos do Comando Vermelho. Do lado do Terceiro Comando Puro, em 11 das 15 favelas da Maré, as ordens vêm de Fabiano Santos de Jesus, o Zangado, irmão e substituto do chefão Marcelo Santos das Dores, o Menor P, preso dias antes da ocupação do local. Ainda segundo policiais, apesar de estarem escondidos fora das comunidades, nada é feito pelas quadrilhas sem a autorização das lideranças.

Ontem, o relações-públicas da Força de Pacificação, major Alberto Horita, voltou a confirmar que os disparos dados na madrugada próximo à Ilha dos Macacos, apesar de terem sido feitos para o alto, resultaram da presença das tropas. “O intuito era de intimidar a tropa. Mas a nossa rotina vai continuar e estamos apurando. Nosso planejamento contemplava essas ações contra a tropa e as medidas que devemos tomar”, disse.

Venda de drogas não para

Ontem, ação da 45ª DP (Complexo do Alemão) na Maré confirmou que os pontos de venda de drogas continuam a pleno vapor. Após investigações, os policiais localizaram 2.156 frascos de lança-perfume prontos para serem vendidos. O material estava armazenado em caixas numa casa na comunidade Vila do João. De acordo com o delegado Felipe Curi, o material seria comercializado por cerca de R$ 100 cada frasco.

Os militares da Força de Pacificação apreenderam durante a madrugada dois menores com rádio e maconha. Eles ainda localizaram 50 pedras de haxixe marroquino, 15 quilos de maconha, munição, carregadores, placas para coletes balísticos, simulacro de arma e balança de precisão. O material estava dentro de um carro roubado e foi encaminhado para a 21ª DP (Bonsucesso).

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