Por adriano.araujo
O repórter Bruno Amorim%2C do jornal 'O Globo'%2C foi detido pelos PMs durante a confusãoAthos Moura / Agência O Dia

Rio - A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota condenando a prisão do repórter Bruno Amorim, de "O Globo", durante a cobertura de reintegração de posse do terreno da Oi no Engenho Novo, na Zona Norte, na manhã desta sexta-feira. O jornalista registrava com um celular imagens da reintegração quando foi imobilizado com uma chave de braço e teve os óculos arrancados por um PM sem identificação. Levado a uma delegacia, ele teve o celular apreendido por mais de uma hora.

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No texto, a Abraji diz que "ao prender Bruno Amorim e ameaçar com prisão outros repórteres, a PM do Rio presta um desserviço". A associação também reprovou a ação de manifestantes que destruíram carros da imprensa. "Ao depredar automóveis dos meios de comunicação, manifestantes se unem à polícia no ataque ao direito à informação de toda a sociedade".

Durante a ação de reintegração do terreno, batizado como "Favela da Telerj", outros jornalistas teriam sido ameaçados. O repórter Leonardo Barros, também de "O Globo", foi ameaçado com voz de prisão caso não “corresse” dali, disse a Abraji. Ao mesmo tempo, um grupo que resistia à desocupação atacou veículos da TV Globo, do SBT e da Record.

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Representante da OAB lamenta confronto entre PMs e ocupantes de prédio

"Tudo o que temíamos está acontecendo e de uma forma ainda pior", avaliou o presidente da 55ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (Méier), Humberto Cairo, nesta sexta-feira, que vinha tentando mediar um consenso entre os invasores do antigo prédio da Telerj, no Engenho Novo, e a Telemar, que é dona do terreno. O prédio foi ocupado por cerca de 5 mil moradores há 11 dias. Após uma das lideranças dos manifestantes ser presa, o confronto se acirrou e os policiais usam bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para controlar a situação.

"A OAB avisou para que essa reintegração fosse feita com cautela. Posso garantir que o melhor era o diálogo entre as pessoas. Deveríamos sentar, conversar, ver quem realmente é necessitado ali e fazer um cadastramento", afirma Cairo: "Não podemos aceitar o vandalismo, nem a irregularidade, mas também não aceitamos truculência e a situação de perigo a que estas pessoas estão sendo expostas".

Reintegração de posse termina em confronto entre moradores e PMs no Engenho NovoCacau Fernandes / Agência O Dia

Representante dos moradores da ocupação, Maria José Silva, também criticou a ação: "Estamos sendo tratados como bichos. A solução que eles deram é um massacre. Fomos até eles e pedimos para acompanhar a reintegração, mas eles não aceitaram e o que estamos vendo é esta violência, com ônibus queimado, policial ferido e criança ferida".

"Muitas pessoas saíram desesperadas e deixaram as coisas lá dentro. Teve gente que saiu para trabalhar e agora não está conseguindo voltar nem para pegar os documentos", conta Maria José, que não mora na comunidade, mas vinha acompanhando a ocupação de perto por morar em uma favela próxima. "Estão falando que lá tem traficantes, mas são pessoas humildes que precisam de uma moradia", observou.

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