Por bianca.lobianco

Rio - Com a filha de apenas 6 meses no colo, a dona de casa Rafaela Ludovino, de 20 anos, tem a esperança de dias melhores. Ela é uma das centenas de pessoas que estão morando em um galpão abandonado na Avenida Itaoca, em Ramos, na Zona Norte do Rio. A maioria tinha endereço nas favelas Nova Brasília e Fazendinha, no Complexo do Alemão, mas não pôde continuar pagando o aluguel que, denunciam, aumentou após a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na região.

Sem ter para onde ir%3A 'Só queremos moradia digna'%2C afirma a dona de casa Andressa Machado da Silva Moreira Lima%2C 18 anosAlessandro Costa / Agência O Dia

“Nós já morávamos em imóveis com problemas, como goteiras e cheiro de mofo. Pagávamos em média R$ 150 de aluguel. Só que, depois da pacificação, os preços subiram para valores entre R$ 350 e R$ 500. A maioria de nós não tem condição de pagar isso”, desabafou a jovem, que divide um espaço de pouco mais de dois metros quadrados com outras seis pessoas no antigo galpão.

A auxiliar de limpeza Thayane Cristina, 22, tentou explicar ao patrão que precisaria faltar ao emprego para garantir um dos cubículos onde levantaria o seu “barraco”, mas acabou demitida. As construções improvisadas com pedaços de tábuas e partes de obras e outros objetos encontrados no lixo, como portas e armários de ferro, estão sendo levantadas no interior do galpão e também no terreno da antiga fábrica Tuf.

Os invasores calculam que haja cerca de 5 mil pessoas no local. Cada espaço recebeu uma numeração para demarcar a residência de cada família. Não há água e a eletricidade foi improvisada pelos moradores, que puxaram fios dos postes da rua para que algumas lâmpadas e eletrônicos, como rádio e televisão, possam ser usados. Como não há fogão ou geladeira, a alimentação é feita com ajuda de familiares e vizinhos da ocupação.

Ocupação completa um mês sem solução da prefeitura

Os moradores da “Favela da Tuf”, como ficou conhecida a ocupação, revelaram que no próximo dia 23 completa um mês que eles estão no local aguardando por algum representante da prefeitura. “Viemos para cá porque não temos outra opção. Só queremos moradia digna”, desabafou a dona de casa Andressa Machado da Silva Moreira Lima, 18, mãe do pequeno Davi Lucas, de apenas 1 ano e 5 meses.

A invasão ocorreu uma semana antes da registrada no prédio desativado da Telemar, no Engenho Novo, também na Zona Norte, que deu origem à “Favela da Oi”. O terreno, com cerca de 5 mil metros quadrados, tem um estacionamento central cercado por quatro prédios de quatro e cinco andares. A Oi conseguiu uma liminar na Justiça que autoriza a reintegração de posse.

Procurada, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, por intermédio de sua assessoria de imprensa, informou que estava a par da situação e que enviaria uma nota relatando as medidas que pretende tomar. No entanto, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi enviada.

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