Por paulo.gomes

Rio - A Rio Ônibus emitiu uma nota oficial no início da tarde desta sexta-feira, repudiando a destruição de ônibus durante o confronto entre PMs e invasores do prédio da Oi, no Engenho Novo. Eles informaram que quatro coletivos - 629 (Saens Peña-Irajá); 350 (Irajá-Passeio); 476 (Méier-Leblon) e outro não identificado - foram queimados em diversos pontos da Zona Norte.

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Segundo a empresa, somente em 2014 foram 31 veículos destruídos em incêndios criminosos. E que cada novo ônibus tem um custo de aproximadamente R$ 350 mil. Ainda de acordo com a nota, "os recursos necessários para a reposição de todos os veículos retirados de circulação nos ataques chega a mais de R$ 10 milhões e que a reposição pode levar até 90 dias, prazo para a compra, a fabricação e a entrega de novos ônibus".

Reintegração de posse na 'Favela da Telerj'Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Moradores deixam casa pelo telhado

Um desses ônibus incendiado, na Rua Vigilante Serafim, no Engenho Novo, quase acabou atingindo uma casa. Devido a fumaça, os moradores tiveram que deixar o imóvel pelo telhado e passar para uma casa vizinha.

"Vi o ônibus pegando fogo e voltei para casa, preocupada com a minha filha que não iria conseguir sair sozinha de lá", lembra a comerciante Carla Faria, de 42 anos.

Muita confusão durante desocupação do prédio

O Batalhão de Choque da Polícia Militar concluiu após três horas o processo de desocupação da "Favela da Telerj", localizada no prédio da Oi, no Engenho Novo, na Zona Norte. A situação esteve tensa durante toda a manhã desta sexta-feira, durante a operação para a reintegração de posse, do prédio da Oi, ocupado por cerca de 5 mil pessoas e que ficou conhecido como "Favela da Telerj". A todo momento PMs e manifestantes entravam em confronto em diversos pontos da região.

O fogo do Ônibus na Rua Vigilante Serafim%2C no Engenho Novo%2C quase atingiu uma casa Gabriel Sabóia / Agência O Dia

Na Avenida Dom Hélder Câmara, dois caminhões foram incendiados. Quando o fogo cessou, um dos veículos foi saqueado. O clima esteve tenso também na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tiveram de dispersar os manifestantes, no acesso pela rua Álvares de Azevedo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

Bancos são saqueados

Na Rua Lino Teixeira, no Jacaré, agências do Itaú e Caixa foram saqueadas e quebradas por manifestantes. Com chegada do Batalhão de Choque, eles saíram do local com computadores, materiais eletrônicos dos bancos para favelas próximas. Há barricadas de fogo na rua e confronto a todo instante.

Um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), na Rua Álvares de Azevedo foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus.

Micro-ônibus da Comlurb foi depredado por moradores da 'Favela da Telerj'Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Em nota, o governo do estado, informa que, cumpre ordem judicial expedida pela juíza da 6ª Vara Cível da Comarca Regional do Méier, Maria Aparecida Silveira de Abreu, que deferiu liminar para reintegração de posse do imóvel localizado na Rua 2 de Maio, no Engenho Novo. A Polícia Militar realiza a operação de apoio aos 40 oficiais de Justiça que cumprem o mandato.

Bombeiros atendem sete pessoas

A reintegração de posse da "Favela da Telerj" fez pelo menos sete vítimas, entre elas três menores de idade - de 9 anos, 13 anos e um bebê de seis meses. A maioria foi atendida por inalar fumaça no incêndio que atingiu parte do local.

Cerca de 80 militares de 16 quarteis (Humaitá, Méier, Ramos, Vila Isabel, Benfica, São Cristóvão, Irajá, Nova Iguaçu, Caju, Grupamento de Operação com Produtos Perigosos, Grupamento de Busca e Salvamento, Campinho, Alto da Boa Vista, Grajaú, Quartel Central e Catete) estão no local desde às 4h desta sexta-feira.

Reintegração de posse termina em confronto entre moradores e PMs no Engenho NovoCacau Fernandes / Agência O Dia

Além dos atendimento às vítimas, os militares também realizaram combate a focos de incêndio em quatro ônibus, um carro e dois caminhões nos arredores da localidade, além das chamas que atingiram o interior da edificação.

Os três adultos atendidos foram encaminhados para a UPA do Engenho Novo e dos menores apenas o adolescente de 13 anos levado para o Hospital Municipal Salgado Filho. Ocupantes do terreno denunciaram a morte de três crianças carbonizadas após o incêndio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, até o momento, não foram localizados corpos no local.

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