PM é condenado a 25 anos de prisão pela morte da juíza Patrícia Acioli

Outro policial acusado recebeu pena mais branda por indicar onde vítima morava

Por O Dia

Rio - O policial militar Sammy dos Santos Quintanilha foi condenado a 25 anos de prisão pela morte da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011, em Piratininga, Niterói. A condenação de Sammy, às 22h30 desta segunda-feira, segundo o Tribunal do Júri de Niterói, foi em razão do envolvimento do PM no assassinato de Acioli. Já Handerson Lents Henrique pegou quatro anos em regime semiaberto por quebra de sigilo funcional. Ele teria levado o bando acusado do crime até a casa da juíza.

Como já passou dois anos na cadeia, Handerson poderá cumprir o restante da pena em liberdade. Segundo investigações da Divisão de Homicídios do Rio, Lents, à época lotado no 12º BPM (Niterói), era o único que sabia onde Patrícia morava e foi levado pelos outros PMs ao local do crime para apontar a residência da vítima. Ela foi morta na porta de casa.

Juíza foi morta a tiros quando chegava em casa, em agosto de 2011Reprodução Internet

Sammy estava preso no antigo BEP no dia do crime devido ao assassinato de Diego Beliene, um dos autos de resistência forjados pelo grupo investigado a mando de Patrícia. Segundo a DH, Sammy aceitou doar sua parte do ‘espólio de guerra’ para financiar o crime. Todos os 11 PMs envolvidos no caso foram condenados. A juíza que presidiu a sessão também pediu a perda de função dos condenados.

Inspetor declarou que seria morto antes de juíza

A primeira testemunha a depor foi a advogada Ana Claudia Abreu Lourenço. Ela contou que atuava como advogada de Sammy no processo sobre a morte de Diego Beliene quando soube que a juíza Patrícia Acioli havia decretado a prisão preventiva dele e de todos os outros integrantes do Grupo de Ações Táticas (GAT), do 7º BPM (São Gonçalo). De acordo com a advogada, ela mesma avisou a diversos integrantes do GAT sobre a decretação das prisões. Ela afirmou, ainda, que o PM Jefferson de Araújo Miranda, um dos réus já condenado pelo assassinato da juíza, contou a ela que Sammy não sabia que o crime estava sendo planejado, pois, se soubesse, acabaria contando a ela que, por sua vez, contaria à juíza.

A segunda testemunha foi o inspetor da polícia civil Ricardo Henrique Moreira, da 72ª DP (São Gonçalo) que contou estar sendo ameaçado de morte desde 2010 por sua atuação no núcleo de homicídios da delegacia. Ele disse que, segundo as investigações, a princípio o plano do GAT era matá-lo, mas o coronel do 7º BPM, Cláudio Oliveira, também já condenado pelo assassinato da juíza, teria convencido os policiais a matarem a magistrada para “cortar o mal pela raiz”.

O delegado da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro na época do crime, Felipe Renato Ettore, foi o terceiro a depor, explicando como foram realizadas as investigações sobre o crime. Segundo ele, Sammy estava preso no Batalhão Especial Prisional (Bep) no dia do crime devido ao assassinato de Diego Beliene, mas aceitou doar sua parte do espólio de guerra para financiar o crime. Quanto a Handerson, o delegado diz ter certeza de que ele sabia do planejamento do crime quando, um mês antes, levou integrantes do GAT até a casa da juíza para mostrar-lhes o local onde o homicídio seria realizado. No entanto, de acordo com as investigações, ele não fazia parte do grupo do comandante Cláudio Oliveira, pois já não estava mais lotado no 7º BPM.

No mês passado, Cláudio Luiz, antigo comandante do 7ºBPM (São Gonçalo), foi condenado a 36 anos de prisãoSeverino Silva / Agência O Dia

A quarta testemunha a depor foi o policial civil José Carlos Guimarães, que era o chefe das investigações da DH do Rio na época do crime. O policial repetiu o que foi dito pelo delegado Felipe Ettore e afirmou que, mesmo estando preso no Bep, o soldado Sammy entrava constantemente em contato com os outros integrantes do GAT por meio de celular. O policial afirmou, ainda, que o grupo já tinha feito duas tentativas anteriores de matar a magistrada.

A primeira testemunha de defesa foi o delegado da 72ª DP (São Gonçalo) Geraldo Assed, que participou das investigações da morte de Diego Beliene. Ele disse que, na época, pediu a prisão de Sammy e de Carlos Adílio dos Santos, já condenado pela morte da juíza Patrícia Acioli, porque considerou que os fatos narrados no auto de resistência apresentado pelos dois em relação à morte de Beliene era falso. No entanto, nas investigações, chegou-se à conclusão de que havia sido Carlos Adílio quem atirara na vítima.

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