Filho de idosa morta na Maré tinha pedido para mãe não sair de casa

Segundo Antônio Carlos da Silva, Terezinha Justina, de 74 anos, tinha ido na farmácia comprar remédio para o pai quando foi atingida por dois tiros na noite de segunda-feira

Por O Dia

Terezinha Justina da Silva%2C de 64 anos%2C foi morta na noite de segunda-feira após levar dois tiros no Complexo da MaréFabio Gonçalves / Agência O Dia

Rio - A morte da dona de casa Terezinha Justina da Silva, de 74 anos, foi a segunda desde que a Força de Pacificação chegou ao Complexo da Maré. Moradora da Vila do Pinheiro, há 40 anos, ela deixou sua casa na noite de segunda-feira e foi até a farmácia para comprar remédio para o marido doente. Segundo o filho caçula da vítima, Antônio Carlos da Silva, ele ainda pediu para a mãe ficar em casa por conta da chuva, mas ela disse que "era rápido".

"Dez minutos depois que ela saiu, ouvi uma rajada de tiros e vieram me falar que ela tinha sido baleada. É triste, mas agora que ela se foi eu não posso fazer nada. A única coisa que eu posso fazer é dar um enterro digno para ela", diz Antônio.

Nascida no Acre, Terezinha Justina estava no Rio de Janeiro há 45 anos, sempre morando na Maré. Somente na residência onde morava, na Vila do Pinheiro, estava há 31 anos. Antônio lembrou que sua mãe tem mais quatro filhos, sendo que dois estão no Norte e que ela não os via desde que veio para o Rio. O filho disse que pretende esperar pela investigação policial para saber mais detalhes sobre a morte de sua mãe.

"Não sei o que aconteceu. Algumas pessoas dizem que a polícia estava fazendo ronda e houve o tiroteio. Eu prefiro esperar", afirma.

Além dos cinco filhos, Terezinha Justina tinha seis netos e um bisneto. Ela será sepultada na quarta-feira, às 10h, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

Parentes de Terezinha Justina na porta do Instituto Médico Legal%2C aguardam a liberação do corpoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Militares afirmam que foram atacados por traficantes

A morte de Terezinha Justina segue sendo investigada. De acordo com policiais militares, duas viaturas do batalhão de campanha das Forças de Pacificação, que tinha PMs a bordo, foram atacadas por traficantes com mais de 50 tiros de fuzil.

Ainda segundo o policial, não houve revide dos militares e nem dos PMs e Terezinha Justino teria sido atingida neste momento com dois tiros, no tórax e abdômen. A idosa deu entrada no Hospital Federal de Bonsucesso às 22h07, com a morte confirmada às 22h40. De acordo com informação do PM, há possibilidade de haver mais vítimas.

"Por volta das 22h uma viatura recebeu tiros de criminosos e a informação que nós temos é que a patrulha não efetuou nenhum disparo", diz o major Alberto Horita, relações públicas da Força de Pacificação, em entrevista à CBN.

O Comando da Força de Pacificação da Maré divulgou a foto da viatura da PM que foi atingida por balasDivulgação

Duas mortes em 48 horas na comunidade

Na mesma segunda-feira em que Terezinha Justina morreu, foi sepultado Jefferson Rodrigues da Silva, de 18 anos, morto no sábado por homens da Força de Pacificação.

A Polícia Civil investiga a morte de Jefferson. Em depoimento na 21ª DP (Bonsucesso), que investiga a morte do jovem, três PMs contaram que horas antes de supostamente trocar tiros com os fuzileiros navais e ser morto, Jefferson e o suspeito que o acompanhava e fugiu também teriam atirado contra uma guarnição da polícia.

Jefferson não tinha antecedentes criminais. Os soldados alegam que ele atirou contra os militares. A família diz que ele apenas se assustou e correu com a presença deles. A tia do jovem, a camelô Silvana Siqueira Soares disse que ele trabalhava em um lava-jato.

O titular da 21ª DP, delegado Delmir Gouveia, aguarda os resultados do laudo para dar continuidade a investigação.

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