'Nunca pensei que um filho meu fosse morrer antes de mim', diz pai de DG

Presente ao velório, Paulo Cesar Calazans Pereira soube da morte do dançarino através da Internet

Por O Dia

Rio - Paulo Cesar Calazans Pereira, de 51 anos, pai de Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, afirmou que só soube da morte do dançarino do programa "Esquenta", da Rede Globo, através de outro filho. Morador do Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele lamentou a morte de DG e, emocionado, pediu que a justiça seja feita.

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"Nunca pensei que um filho meu fosse morrer antes de mim. Também nunca pensei que isso pudesse acontecer a um filho meu. Ele era trabalhador, dançarino. Não era bandido", afirmou Paulo Cesar, ao chegar no velório de DG, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Paulo Cesar Calazans Pereira%2C pai do dançarino DG%2C não escondeu a emoção ao chegar no velório do filhoAlessandro Costa / Agência O Dia

O pai do dançarino afirmou que esses fatos estão acontecendo somente com as camadas mais pobres da sociedade.

"A gente quer justiça, sonhar não custa nada. E no fim das contas, a única justiça que gente tem é a justiça divina. Nunca vi isso acontecer com filho de rico".

Também no velório, Maria de Fátima Silva, mãe de DG, disse que vai brigar para limpar a imagem do filho.

"Vou para a Suíça cobrar os meus direitos e lutar pela imagem do meu filho. Ele brigou muito por aquela comunidade que ele chamava de 'meu morrão'. Me jogaram aos lobos e agora vou voltar liderança a alcateia", diz.

Comércio fechado em parte de Copacabana

O sepultamento de DG está mercado para às 15h. Maria de Fátima não esconde a tristeza por estar se despedindo do filho.

"Cada hora vai chegando o momento de a gente se despedir pra sempre. É um momento triste", afirma ela, que vê como ineficaz o recolhimento das armas dos PMs, por achar que está acontecendo tardiamente.

Parte do comércio próximo ao Pavão-Pavãozinho permaneceu fechado nesta quinta-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

O dançarino foi encontrado morto na última terça-feira, na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, o que gerou um violento protesto nas ruas do bairro. Na manhã desta quinta, o clima permanece tenso no local. O comércio entre a Rua Barata Ribeiro e a Av. Nossa Senhora de Copacabana, próximo a comunidade, está fechado a mando dos traficantes, segundo os lojistas. O Batalhão de Choque realiza o policiamento na entrada do Pavão.

Amigos e parentes de DG protestam na Zona Sul

Cerca de 300 pessoas participam na tarde desta quinta-feira, em Copacabana, de uma manifestação por conta da morte de DG. Eles seguiram pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana e depois pegaram a Rua Figueiredo Magalhães indo em direção ao Cemitério São João Batista, onde às 15 horas será sepultado o corpo do dançarino.

Amigos e parentes de DG protestaram pelas ruas de Copacabana nesta quinta-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

O grupo formado por parentes e amigos de Douglas Rafael, está sendo escoltado por viaturas de diversos batalhões. Eles gritam algumas palavras de ordens como "Fora UPP" e cantam diversos funks, entre eles o "Rap da Felicidade", com o refrão "Eu só quero é ser feliz. Andar tranquilamente na favela onde eu nasci". A mãe do dançarino criticou a presença da polícia no cemitério.

"Por que os policiais estão aqui? Por que esse aparato todo? Eu não os convidei, é uma despedida familiar. Isso aqui é um protesto do morro, aqui não tem nenhum bandido", diz.

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