Rio - A Justiça começou a ouvir ontem as testemunhas de acusação do caso do cinegrafista da Band Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão durante manifestação, em frente à Central do Brasil, contra o aumento da tarifa de ônibus em fevereiro.
O juiz Murilo Kieling negou ainda o pedido de liberdade feito pelos advogados de defesa. Os acusados admitiram que acenderam o rojão mas negaram que tinham intenção de matar Santiago.
Foram ouvidas apenas quatro testemunhas. O primeiro a depor foi o delegado-titular da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano de Almeida, que investigou o caso. “As manifestações têm divisões de tarefas. Fábio é o cabeça pensante e Caio, a força bruta, que participa das pancadarias”, afirmou Maurício. Já o delegado Fábio Pacífico, que foi assistente de Maurício à época, disse que a decisão de lançar o rojão foi conjunta de Fábio e Caio.
Também prestou depoimento o amigo de Caio, Carlos Henrique Omena da Silva. Ele
Promotora: assumiram risco de matar
A promotora Isabella Pena Lucas espera que o caso seja julgado como homicídio doloso (quando há intenção de matar). Nesse caso, Fábio e Caio iriam a júri popular. “É o que o Ministério Público pretende. Entendemos que houve a intenção de matar. Caio e Fábio assumiram o risco de matar o cinegrafista, um trabalhador que estava de costas e não foi avisado do lançamento do explosivo”, afirmou Isabella.
Para ela, existem provas suficientes da participação da dupla. “Estou convicta das provas que foram produzidas. O que a gente busca é a condenação”, disse ela.
A audiência de instrução e julgamento aconteceu no Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal, no Centro, e alguns policiais arrolados como testemunhas não foram porque foram avisados com a data errada da audiência. Os advogados dos acusados disseram que vão pedir a anulação do processo. “Não é um crime de homicídio doloso. Há uma fúria punitiva.”, justificou o advogado Wallace Martins.