Por bianca.lobianco
Publicado 28/04/2014 21:26 | Atualizado 29/04/2014 00:39

Rio - O exame de necrópsia, realizado nesta segunda-feira, constatou um projétil dentro do corpo da idosa de 72 anos baleada no Complexo do Alemão, na comunidade Nova Brasília, na noite deste domingo. Um confronto balístico será feito para descobrir a autoria dos disparos.

"Foram apreendidas quatro pistolas e um fuzil dos policiais envolvidos no tiroteio. No local de perícia também arrecadamos um estojo .40. Temos que ver agora se este projétil está em condições de ser periciado", afirmou o delegado adjunto da Divisão de Homicídios Alexandre Herdy, que acrescentou que testemunhas estão sendo ouvidas e os PMs envolvidos na ação prestaram depoimentos.

Arlinda foi atingida por dois tiros durante confronto entre PMs e traficantesReprodução Internet

Agentes da Divisão de Homicídios estiveram, no fim da manhã desta segunda-feira, na favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, para realizar a perícia no local onde a idosa Arlinda Bezerra das Chagas, mais conhecida como Dona Dalva, de 72 anos, foi alvejada quando fugia de um tiroteio na região.

Arlinda tinha saído de casa para levar um sobrinho-neto até a residência dele. Segundo a criança, no momento da troca de tiros, Dona Dalva (como Arlinda era conhecida na comunidade) disse ao neto: "meu filho, por favor, se esconde atrás da vovó". A idosa havia acabado de sair de um churrasco em comemoração ao próprio aniversário. Ela tinha completado 72 anos na quarta-feira passada. Arlinda morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.

Moradores fazem protesto

Também na manhã desta segunda, três carros foram incendiados na Avenida Itaóca, no Complexo do Alemão, durante ação da Polícia Militar para prender bandidos que, no domingo trocaram tiros com os agentes. O confronto resultou na morte da idosa. Segundo moradores, um produto inflamável foi colocado ao lado de um dos carros, perto da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), e logo depois o fogo foi ateado.

André Luís dos Santos, 33, dono de um dos carros e que trabalha numa empresa de vendas de materiais de construção, próximo de onde estava o veículo, disse ter visto alguns menores no local e lamentou o ocorrido.

"Eu não sei se o ato foi em protesto a alguma morte. Mas posso dizer que não tenho envolvimento nenhum com morte nenhuma e acabei prejudicado", diz o vendedor, que tinha no Monza, avaliado segundo ele em R$ 10 mil, como seu único bem.

>>> GALERIA: Segunda-feira tensa no Complexo do Alemão

Policiamento foi reforçado no Alemão após morte de idosa na Favela Nova BrasíliaSeverino Silva / Agência O Dia

Após a manifestação, que fechou a Estrada do Itararé, principal acesso às comunidades do Complexo do Alemão, e o ataque a tiros à UPP Nova Brasília, o policiamento na região foi reforçado com o apoio de PMs do 3º BPM (Méier), 16º BPM (Olaria), dos batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) e de UPPs da região. A 45ª DP (Complexo do Alemão) também teve reforço no policiamento e todos os acessos à delegacia foram fechados na noite de domingo




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