Por nicolas.satriano
Publicado 28/04/2014 19:46 | Atualizado 28/04/2014 20:19
Arlinda foi atingida por dois tiros durante confronto entre PMs e traficantesReprodução Internet

Rio - Agentes da Divisão de Homicídios estiveram, no fim da manhã desta segunda-feira, na favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, para realizar a perícia no local onde, no domingo, a idosa Arlinda Bezerra das Chagas, de 72 anos, foi alvejada quando fugia de um tiroteio na região. 

De acordo com o delegado Alexandre Herdy, da DH da Capital, o caso está sendo investigado. Testemunhas estão sendo ouvidas e os PMs envolvidos na ação prestaram depoimento e suas armas foram apreendidas para exame de confronto balístico.

Arlinda tinha saído de casa para levar um sobrinho-neto até a residência dele. Segundo a criança, no momento da troca de tiros, Dona Dalva (como Arlinda era conhecida na comunidade) disse ao neto: "meu filho, por favor, se esconde atrás da vovó". A idosa havia acabado de sair de um churrasco em comemoração ao próprio aniversário. Ela tinha completado 72 anos na quarta-feira passada. Arlinda morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.

Moradores fazem protesto

Também na manhã desta segunda, três carros foram incendiados na Avenida Itaóca, no Complexo do Alemão, durante ação da Polícia Militar para prender bandidos que, no domingo trocaram tiros com os agentes. O confronto resultou na morte da idosa. Segundo moradores, um produto inflamável foi colocado ao lado de um dos carros, perto da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), e logo depois o fogo foi ateado.

André Luís dos Santos, 33, dono de um dos carros e que trabalha numa empresa de vendas de materiais de construção, próximo de onde estava o veículo, disse ter visto alguns menores no local e lamentou o ocorrido.

"Eu não sei se o ato foi em protesto a alguma morte. Mas posso dizer que não tenho envolvimento nenhum com morte nenhuma e acabei prejudicado", diz o vendedor, que tinha no Monza, avaliado segundo ele em R$ 10 mil, como seu único bem. 

>>> GALERIA: Segunda-feira tensa no Complexo do Alemão

Policiamento foi reforçado no Alemão após morte de idosa na Favela Nova Brasília. Carros foram incendiados.Severino Silva / Agência O Dia

Após a manifestação, que fechou a Estrada do Itararé, principal acesso às comunidades do Complexo do Alemão, e o ataque a tiros à UPP Nova Brasília, o policiamento na região foi reforçado com o apoio de PMs do 3º BPM (Méier), 16º BPM (Olaria), dos batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) e de UPPs da região. A 45ª DP (Complexo do Alemão) também teve reforço no policiamento e todos os acessos à delegacia foram fechados na noite de domingo.

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