Por paulo.gomes

Rio - As 35 famílias que estavam no prédio da Rua Marquesa de Santos, em Laranjeiras, na Zona Sul, desde o janeiro, deixaram o edifício no início da tarde desta quarta-feira. A retirada, que foi acompanhada por PMs do Batalhão de Choque, aconteceu sem nenhum tipo de confronto.

Diversas famílias ocupavam o prédio da Rua Marquesa de Santos%2C em Laranjeiras%2C desde janeiroAlessandro Costa / Agência O Dia

Os ocupantes do prédio serão encaminhados para um abrigo da prefeitura e a secretaria de Assistência Social, que também acompanhou a desocupação, cadastrou as famílias que estavam no edifício. O porteiro Rainiel Alves da Silva, 26 anos, lamentou ter que deixar a propriedade.

"O problema é que se não formos para o abrigo, não temos para onde ir. Muitos aqui trabalham próximos do prédio e terão que escolher entre abandonar o emprego ou arrumar lugar próximo para ficar", diz.

De acordo com informações, o local estava vazio, pois iria ser transformado num hotel e que os ocupantes do edifício pediram R$ 20 mil para deixarem o prédio. Ao perceberem que o proprietário estava propenso a aceitar a oferta, eles aumentaram o valor para R$ 100 mil, foi quando o dono do prédio acionou a Justiça.

Num dos apartamentos, foram encontradas caixas de fogos de artifícios. No entanto, a saída dos ocupantes está acontecendo sem problemas e a secretaria de Assistência Social está no local cadastrando as famílias.

Policiais do Batalhão de Choque acompanharam a retirada dos ocupantesAlessandro Costa / Agência O Dia

A chegada dos novos vizinhos não foi bem aceita na região. Uma moradora que não quis se identificar lembra que a mudança do grupo para o prédio foi feita aos poucos durante uma madrugada e que a polícia chegou a ser chamada, mas nada foi feito. Ela afirma ainda não ter visto usuários de crack na região. Assim como ela, outros moradores consideram a ocupação ilegal e cobram uma atitude para a retirada das famílias.

Em fevereiro, a Subprefeitura da Zona Sul informou a O DIA que iria notificar o proprietário do prédio para que ele entre com a reintegração de posse. "Caso o dono não se manifeste, se os problemas de invasão de moradores de rua e lixo continuarem, a Subprefeitura da Zona Sul irá desapropriar o lugar", diz a nota. A reportagem procurou o proprietário, mas ele não foi encontrado. Os dados do imóvel, como o tempo de abandono, não foram obtidos, pois estão sob sigilo fiscal.

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