Por thiago.antunes

Rio - Em meio a mais de uma centena de policiais militares, na sede da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, em Bonsucesso, ela se destaca naturalmente pela aparência angelical, pelo tom de voz baixo e por andar à paisana, sem armas expostas. Mesmo assim, a mulher que assumirá nesta quinta-feira, às 16h, na Praça da Vila Kennedy, o Comando das Ouvidorias Paz com Voz, principal aposta do estado para o diálogo com moradores de comunidades pacificadas, não se faz menos respeitável.

Tenente que vai chefiar canal de diálogo e de solução de conflitos com as comunidades admite que ser mulher contribuiu muito para a sua nomeaçãoSeverino Silva / Agência O Dia

Por onde anda, a tenente Tathiana Lima, de 30 anos, é cumprimentada, fazendo lembrar que, apesar de jovem, já acumula boa experiência em comandos na PM. Entre os postos já ocupados estão os subcomandos das UPPs da Mangueira, por um ano e meio, e da Cidade de Deus, por três meses.

Entretanto, para ela, nem mesmo a chefia do setor de Mediação de Conflitos das UPPs, cargo que ocupou até pouco tempo, pode ser ser comparável à oportunidade de peregrinar, semanalmente, por cada uma das 37 UPPs, desvendando os anseios da população: “Estaremos junto aos moradores. Não queremos somente apagar incêndios. Queremos antecipar atitudes para que os problemas não cresçam”.

À bordo de um veículo adaptado, a tenente e sua equipe multidisciplinar (integrada por assistentes sociais, advogados e psicólogos, capacitados pela Associação Brasileira de Ouvidores) cumprirão uma agenda pré-estabelecida de visitas, divulgada no site www.policiamilitar.rj.gov.br/ouvidoriaupp: “Com o anonimato garantido, o morador poderá fazer qualquer tipo de denúncia e acompanhar o andamento da sua solicitação pela internet. As denúncias mais graves serão encaminhadas para a 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, na sede da CPP. Trata-se de um canal direto com a corporação, voltado para as UPPs, diferente do Disque-Denúncia, por exemplo”.

O contato também poderá ser feito por telefone (21- 2334-7599), de segunda à sexta, das 9h às 17h. Estatísticas de atendimentos e casos solucionados serão divulgados a cada três meses, pela internet.

‘Projeto terá êxito’, garante

A tenente Tathiana Lima, que é graduada em Segurança Pública pela Uerj e pós-graduada em Processos Educativos e se diz “fascinada pela carreira militar e pelo contato com o povo”, diz não se lembrar como surgiu o interesse por se tornar policial.

“Lembro que foi na adolescência, vendo o trabalho de alguns amigos próximos. Digam o que quiserem, dentre todas as forças armadas, a Polícia Militar é a primeira a ser lembrada pelas pessoas nos momentos de dificuldades. Nada me orgulha tanto quanto isto”, diz, antes de reafirmar — mais uma vez — que o projeto terá êxito. “Anota aí”, pede.

“Nos envolveremos com todo tipo de caso. Até mesmo no direcionamento dos moradores que estejam procurando órgãos competentes que não sejam a Polícia naquele momento”, garante a ouvidora das UPPs. O trabalho em um veículo não blindado, com policiais não armados e sem farda, será fundamental para este sucesso, na opinião da tenente.

“Temos que nos aproximar de forma amistosa, sem truculência. Sei que o fato de ser mulher contribuiu muito para a nomeação e, sinceramente, acho as mulheres a cara das UPPs”, admite. Para o coordenador-geral de Polícia Pacificadora, coronel Frederico Caldas, o projeto vai dar agilidade na identificação de focos de conflitos. “Há muito havíamos identificado a necessidade de um canal ágil de interlocução com a UPP. O preparo da equipe será decisivo para dirimir conflitos”, disse.

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