Atuação de gandulas mirins no Mundial é polêmica

Coca-Cola treina adolescentes para participarem dos jogos, mas Ministério Público do Trabalho tenta barrar a iniciativa

Por O Dia

Rio - Polêmica em campo. A contratação de gandulas a partir de 12 anos, feita pela Coca-Cola, para a Copa do Mundo, mobilizou entidades de defesa de crianças e adolescentes e levou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a procurar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e pedir a proibição da medida. Ao todo, são 896 vagas para a atividade.

Em dezembro de 2013, o CNJ autorizou, mediante consentimento dos pais, a participação de adolescentes, com idade mínima de 12 anos, como gandulas. A resolução também permite a participação em atividades como porta-bandeira e amigo do mascote.

O MPT se opõe apenas à atividade de gandula, alegando que a mesma equivale a um trabalho adulto, com exigência de cumprimento de horários, além de expor o adolescentes a situações arriscadas.

Na Copa das Confederações%2C adolescentes atuaram como gandulasReprodução Internet

Alegando que a permissão viola a Constituição Federal — que proíbe o trabalho de menores de 16 anos e tarefas noturnas ou consideradas perigosas a menores de 18 —, o MPT enviou pedido ao CNJ para aumentar para 18 anos a faixa etária para a atividade.

“Não é figuração ou como segurar bandeira. Eles participam de treinamento rígido, ficam expostos muito tempo ao sol e ainda correm riscos de serem agredidos, com lançamentos de objetos e topadas de jogadores”, argumentou a procuradora do Trabalho Thalma Almeida.

Procurada, a Coca-Cola declarou que a seleção dos gandulas da Copa da FIFA é uma parceria entre a entidade e a empresa. E que vai divulgar a lista final dos jovens que participarão dos jogos como gandulas apenas na segunda quinzena de maio, respeitando as decisões judiciais.

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