Trinta grupos que fazem arte em 10 regiões do estado são premiados

Grupos vão mostrar seu trabalho em três dias no Rio

Por O Dia

Rio - Aos 20 anos, Eduardo Cardozo ficou cego por conta de uma retinose pigmentar. Aconselhado por amigos, decidiu participar de uma oficina de música. Não imaginava que, em meio a saxofones, teclados e violões, vislumbraria uma oportunidade de trabalho e de recomeçar a vida. Morador de Rio das Flores, no Sul Fluminense, o jovem tornou-se professor de teclado. Hoje, aos 33, dá aulas para crianças carentes no mesmo projeto onde aprendeu a tocar, a Sociedade Musical Camerata Rioflorense.

Para dar visibilidade a iniciativas como essa, o Prêmio de Cultura do Estado traz pela primeira vez ao Parque Lage, Zona Sul do Rio, uma programação cultural em três dias, reunindo os 30 grupos eleitos por voto popular em todas as 10 regiões do estado. A programação vai de sexta a domingo, com apresentações musicais, de dança, teatro, caxambu, circo, artes visuais, gastronomia e artesanato.

A Sociedade Camerata Rioflorense é um dos grupos contemplados pelo prêmioDivulgação

“Queremos prestar um tributo aos realizadores e agentes que fazem do nosso estado a cara do Brasil”, disse a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes. “Pensamos que a premiação em si não é o mais importante, mas promover o encontro de artistas de todo o estado. Por isso, desta vez, teremos três dias de atividades, e não apenas um, como nas outras edições”, explicou o curador do prêmio, Rafael Dragaud. Segundo ele, o objetivo é incluir no evento municípios que possam não ter um investimento tão forte em cultura. “Não queremos deixar ninguém de fora.” Os finalistas foram escolhidos pela internet e na avaliação de uma comissão especial.

Em Araruama, na Região dos Lagos, crianças da rede pública e de escolas particulares dividem o tablado durante as aulas de teatro. O grupo Teatrama já conta com 200 pequenos atores. “É bem mais difícil trabalhar com cultura no interior que na capital. Por isso, a valorização que o prêmio dá é importante. Nossa intenção não é mudar de lugar, mas usar a cultura para mudar o nosso lugar”, conta a professora de Artes Cênicas Perla Duarte, que faz apresentações gratuitas de teatro de rua, com histórias e lendas da cidade “A importância do trabalho com crianças é a formação de público para o teatro, além de dar oportunidade a quem queira se profissionalizar na área”, conta o coordenador do projeto, Alexandre Marinho.

O Teatrama já formou mais de 200 artistas mirins%2C levando espetáculos gratuitos de teatro para as ruas de AraruamaDivulgação

“O investimento em cultura ainda não é o ideal, mas esse reconhecimento já é muito valioso”, diz Pablito Torres, fundador do grupo Latex, de Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana, ansioso pela apresentação dos dançarinos.

Mesmo com apenas 10% da visão, ‘De Mola’ treina 60 jovens em Porciúncula

Se você procurar por Carlos Eduardo Pereira, de 21 anos, em Porciúncula, no Noroeste Fluminense, pode não saber de quem se trata. Mas se perguntar por ‘De Mola’ a probabilidade de que algum morador saiba de quem se trata aumenta consideravelmente. O apelido vem da capoeira, arte que o jovem, um exímio saltador, escolheu para praticar e adotar como filosofia de vida. “Comecei no ‘Sementes da Capoeira’ aos 13 anos. A capoeira me ajudou demais. Não teria a cabeça que tenho hoje e nem a estabilidade emocional se não fosse a capoeira.”

A miopia, que lhe tira 90% da visão, não o impede de continuar ensinando a arte marcial. “Ter sido aluno aqui e agora virar professor é uma sensação que dinheiro nenhum pode comprar. A cada aluno que passa por mim, sinto como se fosse uma família que ajudo a estruturar”, diz ele, que treina 60 jovens.

Jovem está há sete anos no projeto Sementes da CapoeiraDivulgação

Bandas de rock de Macaé e Volta Redonda se destacam no prêmio

?O rock também está representado no Prêmio de Cultura. As bandas Quarto do L, de Volta Redonda, no Sul Fluminense, e Cervical, de Macaé, no Norte do estado, foram selecionadas em suas regiões. Os dois grupos musicais, no entanto, utilizaram estratégias diferentes para conseguir a posição de destaque.

A Quarto do L apostou em apresentações em conjunto com grupos teatrais. “O Quarto transcendeu o ambiente musical. Viramos um ambiente artístico. O lema da banda é a vida em comunidade, mostrar que a união é essencial para todos”, diz o vocalista Vitor Fontes, de 26 anos.

Já a metaleira Cervical foi escolhida por, além da qualidade musical, ter batalhado para que o rock ganhasse espaço no cenário musical de Macaé. “A gente se articulou com outras bandas para procurar lugares para se apresentar. Macaé tem muita banda, mas não tinha espaço para tocarem”, conta Pascoal Mello, líder do grupo.

Inovação%3A Quarto do L%2C de Volta Redonda%2C inclui grupos de teatro nas apresentaçõesDivulgação

A redação-móvel do DIA circula pelo Estado do Rio em uma Fiorino da Fiat

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