Por paulo.gomes

Rio - O policiamento está reforçado na manhã desta terça-feira, nos arredores do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, após o tumulto da noite de segunda-feira, motivado pela bala perdida que atingiu a criança Vitor Gomes Bento, de oito anos. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, as quatro escolas e duas creches da região estão funcionando normalmente, mas a grande maioria dos 1.838 alunos atendidos, com medo, não foi as aulas.

No entanto, segundo informações da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o comércio está funcionando normalmente e que nesta manhã ainda não houve nenhuma prisão ou apreensão.

Vitor Gomes Bento%2C de oito anos%2C está internado no Hospital Federal do AndaraíFernando Souza / Agência O Dia

A criança foi baleada na cabeça, na tarde de segunda-feira, durante uma troca de tiros entre PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos e traficantes. Ele foi operado por cerca de cinco horas no Hospital Federal do Andaraí e está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). O estado de saúde de Vitor é considerado grave. Um PM foi medicado no braço na mesma unidade com o braço quebrado. Outra criança teve escoriações.

Também nesta terça-feira, a Polícia Civil deve realizar uma perícia no local onde Vitor foi baleado. Segundo moradores, o menino voltava do colégio com um irmão quando eles pararam em uma padaria na comunidade para comprar pão doce. No hospital, a família não quis falar com os jornalistas. A polícia já recolheu as armas dos PMs da UPP que participaram do confronto. O policiamento amanheceu reforçado nos acessos ao Morro dos Macacos. Durante a madrugada PMs dos batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) auxiliaram no patrulhamento e na busca pelos bandidos que entraram em confronto com os policiais.

Às 20h30, moradores tentaram fechar a Rua Barão do Bom Retiro, uma das principais do bairro, mas foram impedidos pela polícia, que usou gás de pimenta para afastar os manifestantes. Por segurança, o Túnel Noel Rosa foi fechado nos dois sentidos. Em seguida, um grupo depredou e tentou colocar fogo num ônibus da linha 158, que estava vazio e seguia para a garagem da empresa. O motorista conseguiu controlar as chamas com o extintor do veículo. Segundo moradores, três traficantes teriam sido mortos nos tiroteios, mas a polícia não confirmou. Tiros foram ouvidos na localidade Pau da Bandeira.

'Pesadelo de tempos antigos está voltando'

Por meio do WhatsApp do DIA (98762-8248), moradores relataram o medo de quem mora na região. “O bicho tá pegando. Muita confusão, veículo depredado e muita fumaça na vias de entrada do Morro dos Macacos. Estamos apavorados”, desabafou um deles.

“Estou receoso em voltar para casa. E minha mulher e minhas filhas estão sozinhas. Meu Deus, o pesadelo de tempos antigos está voltando!”, comentou outro. O policiamento seguirá reforçado hoje, diz a PM.

Tiros em áreas pacificadas

Tiroteios em morros pacificados no Rio têm ocorrido com frequência e feito vítimas inocentes. No dia 27 de abril, por exemplo, Dalva Bezerra de Assis, de 72 anos, morreu, ao ser baleada após tiroteio entre policiais da UPP Nova Brasília e criminosos, no Conjunto de Favelas do Alemão.

A exemplo do que ocorreu ontem no Morro dos Macacos, pelo menos 50 moradores da comunidade interditaram a Estrada do Itararé, em Bonsucesso, nos dois sentidos, em protesto. Quatro ônibus foram queimados. Durante as manifestações, criminosos invadiram e depredaram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.Três pessoas foram detidas, acusadas de estarem envolvidas na confusão.

De acordo com parentes, Dalva morreu ao entrar na frente de um neto, de 10 anos, para protegê-lo dos disparos. A polícia investiga informações de que o tiro que matou a idosa, teria partido de traficantes.

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